As 5 Linguagens do Amor: Aprendendo a amar na linguagem certa

Ele acorda todos os dias antes das 6h. Desce as escadas com cuidado para não acordar a esposa. Lava a pilha de louça suja, o quintal, separa os remédios dela e sai para o trabalho. Rala duro todos os dias para manter o padrão de vida da família.

Ele se vê como um bom esposo. Ela está frustrada.

Ela reclama, pede que ele passe tempo com ela. Ele não ouve, diz que ela não tem direito de reclamar, afinal “faço tudo que posso”.

O que há de errado com esse casal? Por que esse quadro é tão comum?

Como se não bastasse, são muitos que, após persistirem numa situação como essa por algum tempo (meses, anos, décadas) chegam à tétrica conclusão: nós não nos amamos mais.

Já parou para pensar em que tipo de conceito de amor essa afirmação revela?

Nossa sociedade mimada o reduziu  a um mero formigamento, uma reação química cerebral, uma euforia que dura no máximo uns poucos anos. Assim que isso se extingue, tem-se que ele [o amor] deixou de existir. Então vem o divórcio, o segundo casamento, o divórcio, o terceiro. Vazio.

Mas o amor nunca foi, nem nunca será isso. Ele é um imperativo, uma escolha, um sacrifício. Diferente de como se pensa, não é o amor que mantém os relacionamentos; os relacionamentos que mantêm o amor – e só assim ele pode “nunca acabar”, pois não está fundamentado nas variações do meu humor, mas no meu compromisso e na minha decisão.

“É o amor que une razão e emoção, envolve um ato da vontade e requer disciplina, pois reconhece a necessidade de um crescimento pessoal. Nossa necessidade emocional básica não é nos apaixonarmos, mas ser verdadeiramente amado(a) pelo outro; é conhecer o amor que cresce sobre os pilares da razão e da escolha, não do instinto.”[1]

O amor só existe quando sou capaz de demonstrá-lo apesar de meus sentimentos e instintos.

E é por isso que o padrão de amor bíblico sempre foi o amor de Jesus por nós (Ef. 5:22-33) – Ele nos ama por quem Ele é, por uma decisão pessoal dEle, e não por quem nós somos. Ele nos ama apesar  de nossas falhas e imperfeições.

E quando entendemos isso, a grande pergunta que segue é: como amar?

Para pensar: amar se aprende?

Gary Chapman, autor do livro “As 5 linguagens do amor” (com mais de 8 milhões de cópias vendidas), propõe que o amor é como um idioma: para que eu entenda, você precisa expressá-lo na minha língua.

No caso acima, o problema do casal era que ele estava expressando o amor em uma linguagem; uma linguagem que ela não entendia. Era como se um japonês estivesse dizendo “Aishiteru” para um grego [que só fala grego]. Não ia rolar.

E é aí que o grande sacrifício da escolha entra em jogo, a necessidade de crescimento pessoal.  O desafio de se aprender grego, para poder comunicar meu amor. O objetivo do amor não é conseguir o que se deseja, mas sim fazer o bem ao outro. É nesse contexto que conhecer o outro é importante para expressar nossa consideração por ele.

“Assim conhecemos o amor, pois Ele entregou Sua vida por nós. E nós também devemos entregar nossa vida pelos irmãos. Mas quem quer que tenha os bens desse mundo e vê seu irmão em necessidade, e feche seu coração a ele, como o amor de Deus permanece nele? Minhas crianças, que nós não amemos em palavras, mas em atos e em verdade.” 1 João 3:16-18

Como podemos aplicar esse verso no contexto do relacionamento a dois? Você tem visto seu parceiro(a) em necessidade de amor e fechado o seu coração, por não se importar em aprender a linguagem dele? Como o amor de Deus permanece em você!?

O mesmo autor, após analisar as formas de demonstrar amor de diversas civilizações, chegou à conclusão de que existem cinco linguagens básicas para se demonstrar e receber amor. Ao fim do artigo há um pequeno teste, desenvolvido por ele, para te ajudar a entender qual é sua linguagem dominante (o artigo é um recurso, mas o ideal é refletir e discutir). A ideia é que você se conheça, conheça seu parceiro(a) e assim consiga tornar mais efetiva a forma de comunicar seu amor. A minha dica é que você aprenda qual é a sua linguagem do amor “dominante” e a de seu parceiro(a). E que ao longo do tempo nós refinemos as cinco linguagens, mas sempre dando mais ênfase àquela que é mais importante para o outro.

  1. Primeira Linguagem: Palavras

“A ansiedade  no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra”. Provérbios 12.25

Uma forma de expressar amor é através das palavras. Às vezes não nos damos conta do quanto elas são poderosas. Em relação as palavras, seria bom se nos lembrássemos de três termos que resumem bem como amar através delas:

Encorajamento, gentileza e humildade

Encorajar  é “inspirar coragem”. Muitas vezes confundimos essa inspiração com a  pressão que causamos para que o outro faça algo que achamos que ele deve. O encorajamento exige empatia que nos leva a enxergar o mundo sob a perspectiva do outro. Em primeiro lugar é necessário saber o que é importante para ele(a). Só assim podemos dizer que acreditamos em suas habilidades, dar crédito. Isso pode ser extremamente difícil para alguém que tem um padrão de palavras de crítica e recriminação, mas o esforço sem dúvidas será recompensado!

A gentileza nas palavras é um forte comunicador de amor. Algumas vezes, dizemos uma coisa, mas nosso tom de voz afirma outra, completamente diferente! O segredo da gentileza está em aprender a compartilhar mágoa, dor e até raiva de maneira doce. Um problema sério em relação à gentileza é que com o passar do tempo nós nos acostumamos. Não é mais grande coisa que meu marido acorde cedo para me levar ao metrô de carro. Os elogios cessam, o reconhecimento deixa de existir. Aprenda a cultivar a gentileza: faça elogios sinceros, agradeça pelos pequenos atos.  Não estou falando sobre ser bajulador, mas aprender mostrar o valor do outro pelas suas palavras.

A essência das palavras humildes se resume em uma frase: “O amor faz solicitações e não imposições”. Se nós expressamos nossos desejos como ordens, eliminamos as possibilidades de intimidade, afugentamos nosso cônjuge. Quando digo “se você não tirar logo o lixo, os ratos vão acabar me carregando junto!”, não estou demonstrando amor, mas me tornando uma pessoa dominadora. Preciso entender que não posso forçar o outro a fazer nada, e preciso respeitar sua liberdade, pois é nesse liberdade que nasce o amor do outro por mim. Por isso o pedido cria a oportunidade de expressar amor, enquanto a ordem sufoca essa possibilidade.

Dica: se essa for a linguagem dominante de seu amor e você tiver dificuldade com elas, sugiro que tenha um caderninho para anotar elogios e encorajamentos que você pode falar para ele(a). Pode parecer estranho, mas se determinada atitude não é espontânea a você, ela se torna uma expressão de amor muito maior, nunca o contrário.

  1. Segunda Linguagem: Tempo de qualidade

No exemplo dado no início do artigo, o problema do casal [para ela] era que ele estava comunicando amor de uma forma (veremos abaixo), enquanto tudo que ela precisava era tempo de qualidade.

O tempo de qualidade se resume em estar juntos, através de conversas e atividades.

Por qualidade, quero dizer que você deve se dedicar a atenção completa ao outro. Sem dividir. Desligue o celular, a TV, o notebook. Feche o livro. Pare de lixar a unha, ver o jornal. Mostre para o outro que tudo que importa naquele momento é estar com ele. A tecnologia tem roubado a qualidade do tempo que cedemos aos outros. Nunca estamos focados em estarmos juntos, mas sempre dividimos nossa atenção. Como uma frase que vi no facebook dizia, “Nosso desafio hoje é sermos mais interessantes que os smartphones dos outros”. Ei! Não deixe que esse “desafio” seja uma realidade para as pessoas que você ama. Mostre a elas que sim, elas são mais interessantes do que todo o resto. E isso você só pode fazer se concentrando em estar junto.

Nós simplesmente não sabemos mais conversar. E isso porque não sabemos ouvir. Aprendemos a analisar problemas e dar soluções. Esquecemos que um relacionamento não é um projeto:  quando alguém nos fala sobre seus problemas e sentimentos, não ache que o outro espera seus conselhos, mas sim sua solidariedade. Dê atenção e ouça a dor, a pressão e a tensão. Ouça com a intenção de entender o que o outro pensa, sente e deseja – esteja dispostos a aconselhar somente quando solicitados e nunca com arrogância.

Se você tiver dificuldades para conversar, lembre-se de algumas dicas:

  1. Olhe nos olhos do outro;
  2. Não faça outra coisa enquanto estiver conversando;
  3. Recuse interrupções;
  4. Ouça procurando entender as emoções por trás das palavras;
  5. Fale sobre seus sentimentos também, e não só sobre os fatos.

Se você tem dificuldades para arrumar tempo para uma conversa de qualidade, tente separar alguns minutos em algum momento no dia para compartilhar duas ou três coisas que aconteceram e como vocês se sentiram.

Outra coisa importante são as atividades de qualidade. Uma atividade de qualidade é aquela em que a atividade em si é secundária – o importante é estar fazendo algo junto que desperte o interesse em um ou ambos. Por exemplo, minha esposa pode odiar música clássica – mas ela escolhe ir a um concerto comigo. Isso é bom? Não sei. Tudo vai depender de como ela vai encarar isso – um sofrimento (e por conseguinte ficará com uma carranca nojenta, reclamando de como a música dá sono) ou uma forma de mostrar que estar comigo é importante. A atividade se torna secundária, ela se torna livre para curtir minha companhia e eu conseguirei ver amor na escolha dela.

“Feliz é o casal que tem a lembrança de uma caminhada na praia pela manhã; de flores plantadas no jardim; dos truques para acabar com as formigas do pomar; do projeto de pintura do quarto; da noite em que andaram de patins e um deles quebrou a perna; dos passeios pelo parque; dos concertos; dos recitais e, como esquecer, do tempo que se levou apreciando uma cascata após o longo percurso de bicicleta até encontrá-la. Chegam a sentir os respingos no rosto. São memórias de amor, especialmente para aquelas pessoas cuja a primeira linguagem é tempo de qualidade.”

  1. Terceira Linguagem: Presentes

A atitude de amor sempre acompanha o ato de conceder. Lembre-se dessa frase.

A linguagem dos presentes segue a mesma lógica, mas demonstra amor através de símbolos visíveis que representem o amor. O valor deles não tem nada que ver com o preço de algo dado, mas sim com o amor implícito. Você pode comprar, achar ou elaborar um presente. O que o definirá como uma demonstração de amor é o quanto do seu amor você conseguiu colocar nele.

Pode ser uma rosa colhida no caminho para casa, um bombom deixado na bolsa, um chaveiro comprado numa viagem. A pessoa que fala alto nessa linguagem verá valor em todas essas coisas, se concedidas como expressão de carinho. Alguém que é muito crítico em relação aos presentes recebidos, não apreciando alguns deles, dá uma dica de que provavelmente essa não é a sua principal linguagem do amor.

Algo importante para se saber é que muitas vezes a presença é o maior presente que pode ser oferecido, a maior materialização visível do amor.  Reflita nesse depoimento, para entender melhor:

“Quando minha mãe morreu, o supervisor de minha esposa a dispensou do trabalho por um período de duas horas, depois do qual deveria retornar. Ela disse ao chefe que seu marido precisava do apoio dela; por isso, não voltaria mais naquele dia. O supervisor respondeu: “Se você não voltar, poderá perder o emprego”. Minha esposa disse: “Meu marido é mais importante do que meu trabalho”. Ela passou o dia comigo. De certa forma, naquele dia eu me senti mais amado do que nunca. Jamais esqueci aquele gesto. E sabe o que aconteceu? Ela não perdeu o emprego; o supervisor foi demitido e ela assumiu o lugar dele.”[2]

Portanto, se, por acaso, você ouvir “Gostaria muito que você estivesse comigo lá”, leve esse pedido a sério. E se a presença do seu amor é importante para você, diga a ele(a) – não espere que ele(a) leia sua mente.

  1. Quarta Linguagem: Atos de Serviço

“Sejam, antes, servos um dos outros, em amor”. Gálatas 5.13

Não poderia ser mais simples: expressar amor através do serviço.

Estereótipos e heranças de papéis no relacionamento às vezes dificultam nessa área. Como? É simples, imagine um casal no qual a mulher possui essa linguagem como dominante, mas o homem tem expectativa de que os papéis no casamento sejam bem definidos – só que do jeito que era com os pais dele: a mãe fazendo tudo em casa e o pai trabalhando fora, e ponto. A não ser que ele rompa com o estereótipo que criou/herdou, sua esposa terá seu tanque do amor vazio por muito tempo.

Independente de termos essa linguagem como a dominante ou não, todos nós podemos pensar em como servir mais ao outro. Isso envolve desde uma boa divisão de tarefas, até pequenas surpresas de serviço, como fazer um pouco mais das suas responsabilidades, só para ele(a) ter um tempo mais pra descansar. Ou então se envolver em um projeto pessoal dele(a).

Só não podemos esquecer que são os pedidos que direcionam o amor. As cobranças impedem que ele seja liberado. Nessa área, a pessoa “mal-amada” pode se sentir muito mais tentada a cobrar, criticar, pois há o pensamento do que o outro “deveria” fazer, como responsabilidade mútua.

Pense nisso: as críticas sobre seu comportamento, feitas pelo seu amor, fornecem dicas valiosas sobre a primeira linguagem do amor dele(a). Tendemos a criticar mais na área de nossas necessidades emocionais mais profundas. A crítica pode ser uma forma inútil de súplica amorosa.

  1. Quinta linguagem: Toque Físico

“Tocar” é uma das formas mais conhecidas de se demonstrar amor. Andar de mãos dadas, abraçar, beijar, apertar, massagear, fazer sexo – todas essas são formas de se comunicar o amor.

As pessoas que tem essa linguagem como dominante, são aquelas que estão te tocando, sempre que podem. Gostam de te abraçar, mexer na sua orelha, pegar na sua cintura quando andando juntas.

O segredo dessa linguagem está em aprender a importância psicológica de cada toque. Um afago amoroso em qualquer parte pode comunicar amor, mas isso não significa que todos serão iguais. Ele(a) apreciará mais um do que outros – não insista em tocá-lo(a) do seu jeito e no seu tempo. Aprenda aonde, como e quando ele(a) gosta de ser tocado. Alguns toques podem ser considerados desconfortáveis ou irritantes.

Não caia no erro de achar que aquilo que é prazeroso pra você será para o outro.

Minha esposa, por exemplo, odeia que eu passe a mão em seu joelho. O problema é que eu adoro passar a mão no joelho dela, principalmente quando estou dirigindo. Ela tem uma cicatriz bem em cima da rótula que lhe dá calafrios quando tocada. Eu precisei desconstruir um hábito para aprender a amá-la melhor.

Entender como o outro gosta de ser tocado pode ser aliviador. Reduz a rejeição ao seu toque e o ajuda a construir padrões de comportamento que comuniquem amor, como uma esbarradinha ao se cruzarem, ou sentar-se pertinho ao assistir TV.

E lembre-se de uma coisa: para aquele cuja linguagem dominante é o toque, nada será mais importante num momento de crise do que um abraço.

Como descobrir minha linguagem dominante?

Descobrir a linguagem primária um do outro talvez seja a descoberta mais incrível a se fazer no relacionamento. Mas não se esqueça que é importante se comunicar em todas elas – a linguagem dominante deve simplesmente receber uma ênfase muito maior.

A primeira coisa que você pode fazer para descobrir sua linguagem é fazer o teste fornecido pelo dr. Gary. Você pode baixá-lo clicando aqui. Ele te dará alguns insights sobre sua linguagem.

Outra coisa a se fazer (a mais importante, penso eu) é discutir com seu parceiro(a) sobre suas linguagens.

Faça-se também essas três perguntas:

  1. O que seu amor faz, ou deixa de fazer, que mais o magoa? O contrário disso tem alta chances de ser sua linguagem dominante.
  2. O que você mais solicita ao seu amor? Aquilo que você mais solicita provavelmente é o que faz você se sentir mais amado.
  3. Qual a forma mais freqüente de você expressar amor? Essa também pode ser uma indicação de que por essa mesma linguagem você se sentiria mais amado.

 A brincadeira

Há uma brincadeira, proposta no livro, que pode ser muito divertida.

Consiste em perguntar ao outro, com uma freqüência combinada, como está o “tanque do amor”: vazio, moderado ou cheio.

A resposta a essa pergunta dará ao outro uma noção do quanto ele tem preenchido a necessidade de amor do outro.

Por fim, gostaria que todos nós lembrássemos que, ao longo de nosso relacionamento, o maior desafio sempre será “amar nossos inimigos”. O que quero dizer com isso? Quero dizer que haverá momentos em que a pessoa que você mais ama hoje se tornará sua inimiga. Ela te ofenderá, te magoará, deixará a bola cair. Ela é imperfeita, humana – entenda isso. Por mais que vocês cresçam e se aperfeiçoem, ela nunca deixará de sê-lo.

A questão é: quando isso acontecer, você será capaz de, ainda assim, demonstrar seu amor? Porque esse deve ser nosso objetivo, nosso alvo – amar como Deus ama: apesar de quem somos. Amar os outros mesmo quando forem nossos inimigos (Mt 5.44, 1 Pe 4.8). E nada será capaz de demonstrar maior amor do que o ato abnegado no momento de menor merecimento.

Além do mais,  amar é a melhor forma de libertar o outro do ódio e da mágoa para que ele(a) possa amá-lo de volta.

Eu costumo dizer que é fácil amar no banquete da alegria, mas é a tristeza que prova e refina o amor. Sábios votos. Lembre-se disso.

Que seu amor seja uma escolha, fundamentada no compromisso, espelhada em Cristo.

[1] As cinco linguagens do amor, p. 37

[2] As cinco linguagens do amor, p. 96


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