Os Estágios da Fé (Parte1/2) – do Romance à Primeira Noite da Alma

“O que está acontecendo com a minha vida espiritual?”

Eu acredito que essa seja uma pergunta que todos nós fazemos, uma hora ou outra. Empolgação, letargia, envolvimento, preguiça, frustração, alegria – esses são sentimentos que pulsam através do nosso corpo ao longo de uma jornada de fé.

No começo do mês passado, eu encontrei um artigo incrível sobre esse tema. Foi escrito por Jon Paulien (talvez o maior teólogo adventista vivo), que se refere a esse material como sendo um dos recursos mais transformadores de vida que ele já aprendeu ou compartilhou. Você pode ler o artigo original completo, aqui.

Resolvi então fazer uma tradução livre do texto e disponibilizá-lo. O autor, inspirado no livro “The Critical Journey”, escrito por Janet Hagberg e Robert Guelich, e em sua experiência pessoal como mentor e seu estudo da Bíblia, propõe seis estágios, com alguns pontos de transição. Eu quebrei o texto em duas partes, por ser muito comprido. Espero que você consiga se identificar, reconhecer os riscos do momento que você está vivendo e os próximos passos para continuar crescendo.

1. O Estágio Romântico

Esse estágio é marcado pela novidade, alegria e simplicidade.

Nós reconhecemos que existe um Deus, que Ele é real e que realmente importa para nossa vida. É o “primeiro amor”, que trás uma grande euforia para a vida espiritual. Há uma sensação de estar experimentando um novo começo, ter recebido uma nova chance na vida. Nesse estágio as pessoas não costumam ser particularmente racionais com sua fé, elas simplesmente orientam a vida de acordo com a experiência vivida com Deus. É um momento de confiança “infantil”. Nas palavras de Jesus, “A menos que vocês se tornem como crianças, não entrarão no reino de Deus” (Lucas 18:17). As pessoas tendem a encontrar Deus de duas formas básicas: “temor” e necessidade. Alguns, particularmente crianças, encontram a Deus através de uma experiência arrebatadora de Sua presença. Encontram-se perante Alguém maior do que eles e, reconhecendo que se trata de Deus, comprometem-se a Ele. Já a maioria dos adultos tem uma tendência maior de vir a Deus pela necessidade. A fé em Deus é vista como uma forma de se resolver a dor pessoal do divórcio, prisão, doença, perda do emprego, luto e/ou solidão. Muitos acabam precisando chegar ao fundo do poço antes de dar uma chance a Deus. De ambas maneiras, há uma alegria tremenda na nova vida que irrompe de um relacionamento com Deus. Esse estágio não precisa ser único na vida: podemos retornar a esse ponto em momentos de grande necessidade.

1.1 Perigos do Estágio Romântico

Os maiores perigos nesse primeiro estágio são o sentimento de indignidade e a falta de conhecimento e ambos podem levar a pessoa a ficar “travada” ou abandonar a fé. O sentimento de indignidade pode surgir por “escorregões” que a levam à vida anterior. É como se elas soubessem que Deus livremente as tenha perdoado e as dado uma “ficha limpa”, mas agora elas estragaram tudo e não são dignas de uma terceira chance. Esse sentimento pode ser devastador.

Além disso, pode haver uma falta de conhecimento do evangelho e de segurança em Cristo. Se esse for o caso, as pessoas podem ser prisioneiras de superstições, como, “Se eu orar, conseguirei tudo que eu quiser”, ou “Deus me castigará se eu não estudar a Bíblia”.

1.2 Como Ajudar Alguém no Estágio Romântico a Prosseguir

Primeiro, é necessário ajudá-las a se sentirem aceitas como filhos de Deus – mostrar que a graça de Jesus é maior do que nossas falhas. Segundo, ajude-as a descobrir que são apoiadas por uma comunidade de crentes. A transição para o estágio dois involve se conectar com uma comunidade espiritual que proverá ensino e apoio conforme elas crescem. [Eu mal consigo contar quantas pessoas abandonaram tudo porque não conseguiram encontrar uma comunidade de fé que as apoiou. A solidão, nesse momento, parece insuportável. Culpa delas? Não mesmo. Realidade da igreja em que eu frequentava, que se parecia mais com um clube VIP do que qualquer outra coisa. Aqui fica uma advertência para nós, “irmãos mais velhos”, que às vezes nos fechamos em nossos grupos bem estabelecidos de pessoas “maduras” que pensam igual a nós. Podemos estar impedindo outros de entrar no reino…] Terceiro, é crítico que elas desenvolvam um relacionamento forte com um ou mais líderes/mentores espirituais que possam ser um exemplo de fé e prática.

2. O Estágio do Discipulado

Esse estágio é marcado por um forte desejo de seguir.

Nesse estágio, as pessoas que se “apaixonaram” por Deus, ingressam em uma comunidade de crentes. É um momento de aprendizado e pertencimento. Eles querem aprender e crescer tanto quanto possível e desenvolver uma identidade com o grupo. Nessa fase um forte sentimento de “estar certo” tende a tomar conta da pessoa; elas encontraram a comunidade “certa”, estão aprendendo a doutrina “certa” e adorando da forma “certa”. Além disso, o crescimento espiritual é particularmente estimulado por fortes líderes, professores e mentores. Em alguns casos, os maiores mentores podem ser encontrados em livros. Um exemplo bíblico forte desse estágio é o relacionamento de Paulo e Timóteo, ou Jesus e seus discípulos. Nesse momento, as pessoas tendem a naturalmente se “anexar” a alguém que esteja disposto a ensiná=los e ajudá-los. Estranhamente essa abertura ao aprendizado costuma estar acompanhada de uma forte autoconfiança. Mesmo que não saibam tudo, eles têm certeza que estão no caminho correto. E isso nos leva aos riscos desse estágio…

2.1 Perigos do Estágio do Discipulado

Pessoas nessa fase podem sofrer de inflexibilidade espiritual, o que não deveria ser um problema a menos que elas fiquem “travadas” nesse ponto – o que é comum, infelizmente. Além disso, há uma tendência para se gostar de respostas fáceis, o que também não deveria ser um problema, já que conforme se avança o desejo por alimento sólido cresce. Entretanto, as fraquezas desse estágio podem se perpetuar se houver dificuldade de seguir em frente. A vida pode se tornar legalística e julgamental, sendo governadas pelo “devo”, “preciso”, “tenho que” e marcada por frustração com aqueles que não vêem as coisas como eles.  Se eles não sairem dessa inflexibilidade e simplicidade de pensamento, provavelmente se tornarão rígidos na sua abordagem à fé.

Por exemplo, se aprenderam uma perspectiva particular de um líder influente, podem concluir que esse caminho é a única forma de pensar ou agir. Sentem que todos devem fazer as coisas como eles fazem e podem estar inclinados até a punir aqueles que fazem o contrário, se estiverem numa posição que os permita fazê-lo. O pior é que aqueles que estão fixados nesse estágio não conseguem ver sua própria rigidez. Vêem tudo como preto no branco, nós contra eles. Sentem-se certos e fortes, enquanto outras perspectivas são fracas e erradas. Toda comunidade de fé possui alguns membros que se fixaram nessa fase.

2.2 Como Ajudar Alguém no Estágio do Discipulado a Prosseguir

O primeiro ponto é ajudá-las a encontrar o mentor “correto”. Mentores não-saudáveis podem levar essas pessoas à digressões perigosas. Se seu mentor espiritual for Osama Bin Laden, por exemplo, sua própria vida está em risco. Por isso é um imperativo  que novos crentes sejam levados a mentores apropriados para seu estágio atual. Embora pessoas presas nessa fase possam se tornar desagradáveis de se lidar, a única forma de ajudá-las a prosseguir é nutrindo relacionamentos com a comunidade e com bons mentores e professores. Crentes rígidos colocam a cabeça na frente do coração e algumas crenças a frente dos relacionamentos.

Essa rigidez permanecerá a menos que, através de nutrição espiritual, elas obtenham alguma autoconsciência do que está errado e encontrem em Cristo encorajamento para se arreepender e restaurar os relacionamentos. Outro elemento importante é prover a eles oportunidade para servir. Ajudá-los a descobrir seus dons espirituais, dar oportunidades para revelar seus dons de liderança. Embora seja um pouco arriscado, a recompensa é grande. Ajude-os a se tornar contribuidores e não somente porta-vozes de certos pontos de vista. E crucialmente, ao lidar com essas pessoas é necessário resistir à tentação de devolver na mesma moeda, mas ser gentil, humilde, terno e ensinável (2 Tm 2:24-26).

3. O Estágio do Sucesso

Esse estágio é marcado pelo impacto causado em outras vidas.

Esse é o estágio do sucesso, pois é o momento que a pessoa sente o chamado de Deus para avançar na liderança, passando a ensinar aos outros aquilo que aprendeu. A confiança na sua habilidade de liderar aumenta conforme as oportunidades vêm. Esse é o estágio de produção espiritual, onde as pessoas impactam outras vidas  e realizam importantes tarefas espirituais.  Aqueles que os seguem crescem em número, as contribuições aumentam e os outros aplaudem os seus esforços. Líderes nesse estágio descobrem seus dons espirituais e assumem papéis nas instituições religiosas que são efetivos e apreciados. Moisés na sarça ardente e Pedro no Mar da Galileia são exemplos bíblicos de indivíduos avançando para o terceiro estágio.

Nessa fase, você se sente como se tivesse “chegado lá”. Há uma forte sensação de estar fazendo a diferença na vida dos outros. Há satisfação espiritual, sensação de realização que vem com o “sucesso espiritual”. Como no estágio dois, no três também há um alto grau de confiança: você “sabe” que está indo bem, que está onde deveria estar.

3.1 Perigos do Estágio do Sucesso

Embora esse seja uma fase altamente “produtiva”, existem algumas sérias fraquezas e perigos comuns nesse estágio. Nessa fase, por exemplo, as pessoas tendem a ser o mais resistentes ao mentorado. Líderes no estágio três não sentem que precisam de um mentor.

Agora eles são mentores que ensinam aos outros, mas sentem pouca [ou nenhuma] necessidade de aprender dos outros. Estão no topo da montanha; não há mais para onde subir. Se os estágios da fé terminassem aqui, poucos se surpreenderiam. A confiança característica dessa fase também leva a algumas preocupações. Embora Deuse seja o foco de todos ministérios espirituais, há uma tendência para que os líderes no estágio três sirvam a Deus com a sua própria força, motivados por objetivos seculares como números, reconhecimento, performance, prêmios e crescimento financeiro. Eles amam o reconhecimento e a realização. A vida algumas vezes parece uma peça de teatro, onde tudo que fazem é para o benefício daqueles que estão assistindo. Essas pessoas são frequentemente ficam fixadas na perfeição, querendo sempre ser os melhores; o melhor pastor na conferência, o melhor professor na escola, o melhor líder na igreja, o evangelista mais bem sucedido. Os líderes do estágio três gostam de se sentir ocupados, mas frequentemente essa “ocupação” é uma máscara que cobre suas anseidades e feridas internas. Se isso for verdade, eles serão os últimos a saber, pois não procuram nenhum tipo de feedback genuíno. Além disso, uma pessoa nesse estágio pode ficar extremamente exausta e estressada, sentir-se irreconhecida e fica ressentido com a comunidade e com Deus por conta disso.

A mairoria das instituições religiosas estão presas no estágio dois ou três. Uma das razões é que a maioria dos seguirdores de uma determinada instituição religiosa são relativamente novos e estão começando a jornada. Uma segunda razão é que ao longo do tempo, elas focam muito mais na preservação da própria instituição do que na glória de Deus. Preocupam-se com o sucesso, documentando e expondo-o, mas frequentemente esses “sucessos” são medidos em termos humanos em vez de divinos. Instituições religiosas podem chegar a desejar poder e riqueza tanto quanto qualqer indivíduo, mas têm mais dificuldade de se arrepender do que a maioria dos indivíduos!

3.2 Como Ajudar Alguém no Estágio do Sucesso a Prosseguir

Como líderes no estágio três podem seguir adiante? O primeiro passo é se render ao controle completo de Deus, tanto quanto a pessoa seja capaz nesse estágio. Isso significa a disposição de abrir mão do próprio ego, dos próprios desejos e até mesmo da posição de liderança para que Deus seja glorificado em vez de nós mesmos. Os líderes nessa fase precisa reconhecer que Deus chama a todos para encarar a verdade sobre si mesmos, trabalhar na sua imagem distorcida de Deus, recuperar-se das feridas infantis, das experiências passadas que nos feriram e da falta de perdão em relação aos outros que nos feriram. Eles precisam praticar a espiritualidade pessoal, a oração, o estudo das escrituras sagradas e compartilhar com outros o que Deus fez em suas vidas. Mais do que tudo, líderes nesse estágio precisarão engolir seu orgulho e buscar um mentor que esteja no estágio quatro ou mais.

Se nós olharmos para aqueles que nos ajudaram no passado, podemos descobrir que eles são guias inadequados para esse momento da jornada. Mentores de “alto níevel” são aqueles que enfrentaram as tentações do estágio do sucesso e superaram, pela graça de Deus. Mas encontrar mentores como esses não será fácil. Quando achar um, “grude” nele! De muitas formas o estágio três parece o fim da jornada espiritual. Mas não é. Em algum sentido, a jornada espiritual acabou de começar. É por volta desse ponto que algo estonteante acontece à maioria das pessoas que estão nessa jornada. É a última coisa que esperariam e é frequentemente uma persona non grata…

Além do Estágio Três: A Noite Escura da Alma I

No topo do nosso sucesso espiritual, algo tende a acontecer; algo que nós pouco esperamos. É uma crise pessoal que muitos tem chamado de a noite escura da alma…

As certezas passadas se tornam inadequadas. Questionamos tudo que acreditamos e tudo que já vivemos. Sentimos como se fossemos fracassados, como se não pudéssemos fazer nada certo. Somos humilhados. Nosso mundo nos engole. Nossa fé, que nos sustentou poderosamente até então, parece ñão funcionar mais. Todas nossas respostas são substituiídas por perguntas. Parece que Deus sumiu de nossa vista, ou simplesmente saiu da caixa onde nós o mantinhamos preso, confortavelmente. Há muitos exemplos desse fenômeno na Bíblia. O caso clássico é Jó que, mesmo sem ter feito nada para merecer, passou por uma crise interna de depressão espiritual que quase o levou ao suicídio (Jó 3.1-26). Penso também em Jonas, cuja vida estava indo bem, até Deus “bagunçar” tudo com um grande peixe. Penso em Elias que após o ponto de maior triunfo espiritual no Monte Carmelo, desceu imediatamente a um profundo nível de desencorajamento (I Reis 19.3-4).

A noite escura da alma parece como o fim de todas nossas esperanças e sonhos espirituais. Pode apresentar uma forte deimensão de crise espiritual combinada com sintomas clínicos da depressão. Mas não é o fim. Na verdade é um chamado para uma relação mais profunda de intimidade com Deus. Ela revela que todos nossos sucessos, todas as coisas boas que fizemos foram, até certo ponto, motivadas pela ambição e egoísmo ou por um desejo de agradar aos outros. Descobrimos que nosso senso de propósito no estágio três era dirigido muito mais pelos outras e pela igreja do que por Deus. Percebemos que, embora o Deus que conhecemos até aqui seja real, precisamos conhecê-lo novamente – como se fosse a primeira vez. A noite escura da alma pode ser precipitada por muitas coisas. Pode ser simplesmente um estágio, como a crise da meia-idade. Pode ser por causa de um evento externo, como um filho rebelde, a perda do emprego, a morte de uma pessoa amada, ou um evento interno, como uma doença física ou o ressurgimento de um trauma do passado. A noite escura pode ser a simples sensação de que Deus retirou sua presença da nossa vida. Buscamos, mas não encontramos. A maioria das pessoas se sentem deprimidas com esse momento. Acreditam que a presenta de Deus na vida deveria suavizar o espírito, acalmar todos os medos e trazer alegria à jornada da vida. A escuridão enfrentada parece uma “virada errada”, um sinal de que de alguma forma perdemos o caminho espiritual. Somos tentados a desistir e virar as costas para ela. O ego se “incha” para resistir a experiência. Podemos nos sentir culpados, envergonhados, sentindo que merecemos essa escuridão. Líderes espirituais podem sentir que a noite escura acontece com as pessoas, mas não com eles. Supõe que deveriam ser fortes e confiantes em Deus. Sentem a necessidade de esconder a escuridão dos outros, mesmo de si mesmos. Sentem-se solitários, ocmo se ninguém mais estivesse passando por algo parecido. Mas, a despeito de como se sentem, essa escuridão é na verdade um chamado de Deus, um sinal positivo. É uma marca de que Deus está profundamente engajado na sua vida. Enquanto a dúvida possa ser uma coisa negativa para a vida espiritual, a noite escura da alma é um tipo de duvidar que pode levar a uma fé mais profunda.

Você não pode lidar com a escuridão trabalhando 60 horas por semana, tentando ignorá-la. A dor está aí por um propósito. Deus a usa para chamar as pessoas a beber dela e aprender o que precisa ser aprendido.

O melhor remédio para a escuridão é a solitude em abundância, quando se pode ouvir a voz de Deus, sentir o que Ele está tentando comunicar e então pensar e refletir. Um mentor de alto nível pode ser um recurso nesse ponto; alguém que passou pela escuridão e sobreviveu, que seguiu em frente e incorporou à vida as coisas que Deus o ensinou através dessa noite. Mas existem dois pontos importantes de preocupação que precisamos manter em mente quando alguém está na noite escura. Primeiro, existe a tentação de se dar as costas para a experiência e voltar para o estágio três. É lá que o você tinha sucesso. É lá que as coisas estavam indo bem, onde Deus parecia próximo.

A tentação consiste em rejeitar a escuridão e voltar para o lugar de triunfo. E essa pode parecer uma boa tacada. O problema é que você saberá, lá dentro, que Deus o chamou e você disse não. Então você se tornará o que eu chamado de uma casca vazia, alguém que está sendo levado pelas ondas da liderança e do sucesso, mas com um buraco, pois está faltando algo. Quando isso acontece, o coração da vida espiritual se vai.

Da minha experiência ensinando milhares de pastores ao longo dos anos, estimo que cerca de 50-60% dos pastores escolhem esse caminho e essa pode ser uma das razões pela qual tantas igrejas parecem espiritualmente mortas. Talvez cerca de 25% dos líderes sigam em outra direção. Vêem a noite escura como um chamado para questionar sua jornada espiritual inteira, até aquele ponto. Acreditam que a razão não é um chamado de Deus, mas o fracasso e os erros da instituição religiosa com a qual se alinhou no estágio dois. O estilhaçamento da confiança espiritual que vem com a escuridão pode trazer grande desilusão a respeito da confiança sentida nos estágios dois e três. E isso normalmente é uma coisa saudável. Mas a noite escura da alma resulta em uma “bola fora” caso se desista de tudo que se acredita ou se toda herança espiritual for abandonada na ilusão de que outra instituição não terá as mesmas deficiências. [Aqui existe o forte risco de afundar-se em heresias, dissidências e apostasia] Eu não quero dizer que nunca é espiritualmente produtivo mudar de religião, mas isso precisa ser feito pelas razões corretas. Talvez um quarto dos pastores, na minha experiência, deixam a igreja durante essa escuridão, porque não encontram um mentor adequado, e interpretam o chamado de Deus para deixar a fé por outra ou deixá-la completamente. Creio que 10% ou 15% de todos que andam a jornada espiritual se mantém no caminho, bebem das lições que Deus quer ensinar e então seguem para o estágio quatro. Com a ajuda de um mentor (que tenha passado por isso e seguindo em frente) se tornam cada vez mais conscientes de seu egocentrismo. Passam a entender que seus esforços espirituais até agora eram guiados pelo eu e pelas expectativas dos outros e da igreja. Aprendem a reconhecer o chamado de Deus, nessa noite escura, para romper com o ego e mergulhar numa caminhada com Deus, de forma mais profunda do que nunca imaginaram. Aprender a olhar para si mesmos como Deus os vê e aceitar as próprias limitações- a própria humanidade. Aprendem a perdoar a si e aos outros de forma verdadeira. O amor próprio se fortalece (porque descobriram o amor profundo que Deus tem por eles) e com isso o amor pelo próximo. Pode até ser que tenham conhecido todas essas coisas intelectualmente antes, mas agora eles incorporam esses insights na alma e os recebem como pessoas que estão se tornando mais e mais completas.

Como você dá suporte a alguém que está passando pela noite escura da alma? Muito pacientemente. Encontrar mentores de alto nível nesse momento é extremamente precioso. Pessoas que estiverem sofrendo nesse estágio despejarão a dor, frustraão, raiva e solidão em você. Não ofereça respostas como os amigos de Jós fizeram; só esteja presente. Evite o choque, apenas ouça e se coloque no lugar delas enquanto lutam com as memórias traumáticas e o arrependimento. Compartilhe sua própria noite escura da alma (se você não tiver passado por isso, provavelmente suas experiências não serão de muita ajuda). Assegure que passar por isso é normal na caminhada com Deus. Compartilhe as histórias de Elias, Jó, Pedro e Jesus. Irradie sua própria aceitação como um símbolo da aceitação de Deus. Perdoe-os conforme necessário e os encoraje a experimentar o perdão de Deus. Na maioria dos casos o dia virá quando a noite terminar e eles serão capazes de se levantar. Alguns terão de experimentar a escuridão mais do que uma vez a fim de seguir em frente, mas eventualmente, se eles mantiverem o curso, poderão continuar a jornada.


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