Ordenação de Mulheres na IASD – Cronologia

Este é um resumo dos debates sobre a ordenação de mulheres na IASD. Confira, no final do texto, as conclusões dos estudos realizados pela igreja mundial entre 2011 e 2014 (frases sublinhadas). Desejo que, no mínimo, você perceba que o assunto é bem mais complexo do que a maioria supõe.

Década de 1880 – Várias mulheres atuam como pastoras na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Entre 1872 e 1945, pelo menos 31 mulheres (inclusive Ellen White) possuíram credenciais ministeriais.

1881 – Em dezembro, na assembleia da Associação Geral, é feita a proposta de ordenar mulheres ao ministério pastoral: “Resolvido, que mulheres que possuam as qualificações necessárias para ocupar essa posição possam, com toda a propriedade, ser separadas pela ordenação à obra do ministério cristão.” O item é relatado na Review and Herald de 20 de dezembro de 1881, mas foi encaminhado ao comitê da Associação Geral. [Embora o texto diga “resolvido”, a proposta, até onde sabemos, não foi aceita.]

1895 – Na Review and Herald de 9 de julho, Ellen White afirma que algumas mulheres deveriam ser separadas para o serviço na igreja mediante “oração e imposição de mãos”.

1950 – Em 3 de maio, os oficiais da Associação Geral discutem a ordenação. A. V. Olson, presidente da Associação Geral, explica que a declaração de Ellen White, encontrada naReview and Herald de 9 de julho de 1895, tem sido compreendida por alguns como apoiando a ordenação de algumas mulheres. Após a discussão, é “Resolvido, recomendar ao comitê da Associação Geral que um pequeno comitê seja nomeado para estudar e relatar sobre essa questão”.

1970 – Em 5 de junho, os oficiais da Associação Geral discutem o papel da mulher e concordam em nomear “um comitê adequado para considerar esse assunto abrangente […] e a apresentar um relatório para apreciação no Concílio Anual de 1970”.

1972 – A primeira mulher é ordenada anciã de uma igreja local. Os oficiais da Associação Geral enviam ao Instituto de Pesquisa Bíblica o tema da ordenação de mulheres ao ministério.

1973 – Solicitações de duas Divisões para que o assunto seja estudado, a redescoberta de declarações de Ellen White sobre ordenação de mulheres e a atuação de várias mulheres como pastoras em igrejas adventistas levam a Igreja Adventista do Sétimo Dia a estabelecer dois comitês de estudo. Em julho, o comitê da Associação Geral estabelece um comitê ad hoc para estudar a ordenação e o papel da mulher na igreja.

Em setembro, é estabelecido o Concílio sobre o Papel da Mulher na Igreja Adventista do Sétimo Dia. O grupo consiste de 13 homens e 14 mulheres, que publicam 29 estudos e recomendam que mulheres sejam ordenadas anciãs de igrejas locais e que aquelas que possuem formação teológica atuem como pastoras auxiliares. O grupo também propõe que um programa-piloto seja desenvolvido para aprovar a ordenação em 1975.

Em outubro, o Concílio Anual vota aceitar o relatório do Concílio sobre o Papel da Mulher na Igreja Adventista do Sétimo Dia, que “seja continuado o estudo sobre a legitimidade teológica da eleição de mulheres a oficiais de igrejas locais que exigem ordenação” e “que, em áreas receptivas a tal ação, haja reconhecimento contínuo da adequação de nomear mulheres à obra evangelística pastoral”.

1974 – Os participantes do Concílio Anual votam continuar o estudo das questões teológicas, dizendo: “Neste momento, não é propício nem oportuno” ordenar mulheres ao ministério pastoral.

1975 – No Concílio da Primavera, os líderes recomendam que a igreja pare de conferir a mulheres credenciais ministeriais (depois de 100 anos) e, em vez disso, conceda credenciais missionárias. Eles também encorajam mulheres a se tornarem obreiras bíblicas e pastoras auxiliares e votam permitir a ordenação, com prudência, de diaconisas (reafirmada em 1985 e 2010) e anciãs (reafirmada em 1984).

1990 – Na assembleia da Associação Geral, em Indianapolis, os delegados votam (por 1.173 a 377 votos) aceitar as recomendações do Concílio Anual de 1989 de que mulheres não sejam ordenadas no momento.

Em outubro, no Concílio Anual, os oficiais votam autorizar que mulheres atuem como pastoras e as autorizam a realizar batismos e casamentos em algumas Divisões. (Essa ação é um exemplo de ocasiões em que a igreja mundial autorizou cada Divisão a decidir ou não ordenar anciãs, e permitir ou não mulheres batizarem ou realizarem casamentos em seus territórios.)

1995 – Os delegados da assembleia da Associação Geral, em Utrecht, votam (por 1.481 a 673 votos) negar uma solicitação da Divisão Norte-Americana de permitir que as Divisões decidam individualmente se mulheres devem ser ordenadas ao ministério pastoral.

2005 – A assembleia da Associação Geral vota restringir a posição de presidente de Associação a ministros ordenados, o que impede que mulheres sejam eleitas.

2010 – Na assembleia da Associação Geral, em Atlanta, os delegados reafirmam a decisão de 1985 de permitir a ordenação de diaconisas. Eles também votam que seja solicitado aos líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia mundial o estudo de uma teologia da ordenação, previsto para ser concluído antes do Concílio Anual de 2014.

2011 – Em setembro, o Concílio Anual da Associação Geral vota estabelecer o Comitê de Estudo da Teologia da Ordenação, que envolveria “todas as Divisões mundiais” e se reuniria entre janeiro de 2013 e junho de 2014 para estudar a teologia da ordenação.

2014 – Em junho, o relatório final do Comitê de Estudo da Teologia da Ordenação indica que o comitê não chegou a um consenso sobre o que a Bíblia ensina a respeito da ordenação de mulheres ao ministério pastoral. As conclusões dos membros se dividiram em três grupos. Grupo 1: os que creem que a “teologia do domínio” (em inglês, headship theology) impede que mulheres exerçam qualquer posição de liderança sobre os homens. Grupo 2 (a maioria dos membros): os que creem que a Bíblia apoia a ordenação de mulheres e que mulheres devem ser ordenadas nos lugares em que Divisões, Uniões e Associações julguem ser benéfico à missão da igreja. Grupo 3: os que aceitam algumas ideias da “teologia do domínio”, mas creem que a ordenação de mulheres, ainda assim, é apoiada pela Bíblia. Os dois grupos que consideram biblicamente correto ordenar mulheres ao ministério pastoral totalizam aproximadamente dois terços dos membros do comitê.

Em outubro, no Concílio Anual, a Associação Geral relata que o Comitê de Estudo da Teologia da Ordenação não chegou a um consenso, mas que o processo de estudo deixou claro:

·      que a Bíblia pode ser usada, de maneira legítima, para apoiar a ordenação e a não ordenação de mulheres ao ministério pastoral;

·      que os defensores de ambas as posições aceitam plenamente a Bíblia como a Palavra inspirada de Deus e como nossa única regra de fé e prática; e

·      que os defensores de ambas as posições aceitam plenamente as 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

A Associação Geral e os oficiais das Divisões declaram com unanimidade que a questão não pode ser decidida teologicamente, mas será decidida mediante um processo de discussão e votação da igreja [isto é, será decidida administrativamente]. Os delegados votam levar à assembleia da Associação Geral de 2015 a pergunta: “Depois de orar e estudar o tema da ordenação na Bíblia, nos escritos de Ellen G. White e nos relatórios de estudo [produzidos pelo Comitê de Estudo da Teologia da Ordenação]; depois de analisar meticulosamente o que é melhor para a igreja e o cumprimento de sua missão; é aceitável que os comitês executivos das Divisões, à medida que considerem apropriado aos seus territórios, adotem provisões para a ordenação de mulheres ao ministério pastoral? Sim ou Não.”

Fonte: http://www.columbiaunionvisitor.com/timeline-the-road-to-ordination/

(Nota: esta tradução apresenta só os principais eventos mencionados no texto original.)

Texto disponibilizado por Matheus Cardoso.


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