Colossenses 2:8-14: Exposição e Aplicação

Paulo inicia essa seção com uma advertência para que os cristãos de Colosso não fossem envolvidos nas filosofias e enganos vazios, relacionados à tradição dos homens (paradosin tou anthropon) e aos elementos do universo (stoicheia tou kosmou).

Os cristãos de Colosso corriam o risco de seguir as tradições, tidas como todo e qualquer ensinamento que, transmitido por homens, não possuem outras provas autênticas de sua veracidade além da sua própria transmissão, mas inconciliável com a doutrina de Cristo. Aqui provavelmente se refere ao corpo de preceitos, especialmente rituais, que foi transmitido pelas gerações entre os judeus (Paulo faz uso da mesma expressão, atestando esse significado, em Gálatas 1:14)[1]. Por outro lado, também existia o risco de ser enredado pelos enganos de acordo com o stoicheia tou kosmou, citado acima. Essa expressão pode-se referir aos elementos dos céus e ser uma clara referências às filosofias pagãs; no livro Sabedoria de Salomão, por exemplo, lemos que os gentios “supunham que ou o fogo ou vento […] ou os luminares dos céus eram deuses que dominavam o mundo” (13.2). Philo, por exemplo, entendia que esses elementos podiam ser entendidos em seu tempo como espíritos ou divindades: “algumas pessoas reverenciam a stoicheia; a terra, a água, o ar e o fogo receberam nomes como Efesto, Hera, Poseidon e Demétrio”[2]. Paulo em Atos, depara-se com uma situação semelhante (At. 7:42-43). Não é difícil imaginar que a mistura entre judeus e pagãos tenha seguido essas mesmas crenças.

De qualquer forma, ambas expressões englobam o mesmo sentido: o risco de ser enganado por tradições e filosofias, a respeito das coisas criadas, que não estão de acordo com Jesus e sua palavra. Dos versos 9-14, Paulo dá os motivos para que os Colossensses se atentem a essa advertência:

  1. (v.9-10): Porque é em Cristo que habita toda divindade; Ele é o criador de tudo e cabeça de toda autoridade, inclusive dos inanimados corpos celestes a quem alguns deles reverenciavam. E é através dEle que nós somos preenchidos com a presença de Deus – e não através de qualquer criatura ou do conhecimento, por mais profundo que seja, dos mistérios  do universo![i]
  2. (v.11-12): Paulo evoca um símbolo do antigo testamento, a circuncisão espiritual (Jr 4.4), referindo-se a ela como o meio pelo qual nós morremos para o pecado – e não um simples ritual corporal. Essa circuncisão espiritual é nada menos do que a morte de Cristo, a qual nós participamos pelo batismo, e nascemos para uma nova vida pelo mesmo poder que ressuscitou Cristo dos mortos (Rom 8:11).
  3. (v.13-15): Paulo reforça a imagem da nova vida, estressando o fato de que, embora merecêssemos a morte eterna por nossos pecados, ele nos deu vida, perdoando nossas transgressões. E o meio para isso foi a sua morte na cruz, que destruiu o manuscrito que consistia em ordenanças (cheirographon tois dogmasin – essa expressão será importante para entender a mensagem da próxima advertência, nos versos 15 e 16).

Resumidamente, é como se Paulo, após exaltar a soberania de Cristo através de um cântico doutrinário, estivesse dizendo, “Por que dar ouvidos às filosofias que nos levam pra longe do que aprendemos em Jesus? Se ele é Deus, criador e cheio de autoridade sobre todo o universo, não precisamos disso. Através dEle nós somos preenchidos com a presença da divindade e temos a purificação de nosso coração, não por rituais humanos, ou esforços pessoais em seguir regras, mas pela sua morte ao sermos sepultados com ele em nosso batismo. E assim como simbolicamente compartilhamos da morte dele, literalmente compartilharemos tanto da sua ressurreição quanto da nova vida que nos dá hoje, pois acreditamos no poder de Deus. Embora estivéssemos mortos em nosso pecado, ele nos reviveu, perdoando todas nossas dívidas ao rasgar o cheque sem fundo que nós emitimos, quando foi pregado naquela cruz.”

Toda argumentação de Paulo se baseia em um único ponto: a supremacia do senhorio de Cristo e sua expiação gratuita, que é capaz de nos justificar e santificar, e a insuficiência de qualquer outra coisa na contribuição de nossa redenção. Qualquer coisa que nos leve no caminho contrário a essas certezas devem considerada como lixo a ser despejado.

  • Aplicação

“Eu ainda vou [à igreja], pois minha família gosta da minha companhia, mas mentalmente eu já saí há muitos anos. As minhas razões em abandoná-la foram: usarem o medo para motivar as pessoas a agirem, e para mantê-las em linha; as dúvidas nunca eram discutidas, ninguém compartilhava suas dificuldades pessoais, e se alguém por acaso falasse, se tornaria o principal assunto das fofocas da igreja. Eu costumava ter mais dúvidas da existência de Deus após o sermão do que antes.”

Esse depoimento foi compartilhado pelo Projeto Nínive, em uma rede social. Você pode discordar de mim, mas eu acredito que nós geramos esse tipo de pessoas quando ignoramos o fato de corrermos o mesmo risco que a igreja de Colosso corria. E fazendo isso, construímos nossa igreja sobre qualquer coisa, menos sobre a palavra de DEUS e sua mensagem central de salvação gratuita.

Sem dúvida, os perigos que ameaçaram a igreja de Colossenses no passado nos assombram de maneira muito similar hoje. Corremos o risco de nos apegarmos às nossas tradições e a quaisquer outros ensinamentos sem fundamento (que muitas vezes até têm “aparência de piedade”) e concedermos a eles o status de verdades reveladas, simplesmente porque nos foram ensinados por alguém importante, ou considerados como corretos por um longo período de tempo ou até mesmo porque gostamos da linha de pensamento ou da conclusão apresentada. Podemos até achar que essas ideias “são o que realmente precisamos”, enquanto nós e a igreja carecemos de Jesus e sua Palavra.

O risco é ainda maior quando achamos que somos imunes a esse tipo de problema. Deveríamos o quanto antes, perceber que todos nós somos filhos da tradição. Em nossas práticas e crenças estão incorporados ensinamentos e percepções erradas que precisam ser corrigidas ou destruídas, pela graça de Cristo.

No passado, essa consciência entre os adventistas era mais firme (e mesmo assim ainda cometeram o erro de dar, algumas vezes, autoridade à tradição)[3]. Como comenta Fernando Canale, “Embora os reformadores tenham rejeitado alguns costumes e tradições, os escritores adventistas manifestaram uma rejeição mais aguçada da tradição. […] Em vez de assumi-las (as tradições) como fontes de teologia ou guias de interpretação das Escrituras e compreensão das suas doutrinas, eles decidiram se engajar criticamente. A sua relação crítica à tradição não era nova, somente mais extensiva. Essa abordagem metodológica é necessária para a aplicação do princípio Sola Scriptura (somente a Bíblia). A menos que nós entendamos a tradição, distinguindo-a das Escrituras, criticando seu conteúdo, nós inevitavelmente confundiremos ideias recebidas da tradição com as ideias bíblicas.[4] [grifos meus]

O pior é que por vezes não percebemos como nós também estamos “contaminados” e em vez de questionar nossas convicções à luz da palavra de Deus, acabamos por tornar a igreja o campo de batalha de uma eterna guerra em nome do conservadorismo, ou do liberalismo.

Mas o que tentamos conservar? O que tentamos liberar? Tradições? Gostos? Opiniões? Podemos ter uma guerra como essa, onde os dois lados acham que estão defendendo o evangelho, mas lutam pelos seus próprios egos. Em vez de edificar o corpo de Cristo, estamos mais preocupados com a execução das coisas do nosso jeito.

E tudo isso porque nos tornamos analfabetos bíblicos (ou talvez até conheçamos a Bíblia, mas nos esquecemos de sua centralidade), ignorantes do conhecimento de Deus e da eficácia de seu poder.

Nos tempos de hoje “há fome da Palavra de Deus. Poucos pregam as Escrituras não misturadas com tradições humanas.”[5] E essa fome existe, em parte, porque nos falta distinguir, naquilo que cremos e vivemos, a tradição da revelação. E o perigo de continuarmos nessa situação só aumentará quanto mais caminhamos no tecido do tempo:

“Satanás emprega todo artifício possível para impedir os seres humanos de obterem conhecimento da Bíblia; pois os claros ensinos desta põem a descoberto os seus enganos. Em todo avivamento da obra de Deus o príncipe do mal está desperto para atividade mais intensa; aplica atualmente todos os seus esforços em preparar-se para a luta final contra Cristo e Seus seguidores. O último grande engano deve logo patentear-se diante de nós. O anticristo vai operar suas obras maravilhosas à nossa vista. Tão meticulosamente a contrafação se parecerá com o verdadeiro, que será impossível distinguir entre ambos sem o auxílio das Escrituras Sagradas. Pelo testemunho destas toda declaração e todo prodígio deverão ser provados.”[6]

Não precisamos nos autoproclamar “conservadores” ou “liberais”; basta que sejamos cristãos e bíblicos. Muita dor poderia ser evitada dessa maneira. Mas sem dúvidas, sujeitamo-nos a isso pela forma como terceirizamos o nosso conhecimento da verdade.

Ellen White, na carta 20 de 1888, comenta que “Há uma preguiça surpreendente em grande parte de nossa classe de pastores que estão dispostos a deixar outros examinar as Escrituras por eles; e tomam a verdade dos lábios deles como algo inquestionável, sem saber se é a verdade bíblica pela própria pesquisa individual e pela profunda convicção do Espírito de Deus em seu coração e em sua mente. […]”. Embora ela esteja se referindo às discussões específicas ocorridas na conferência geral da Igreja Adventista naquele ano, essa mesma situação é patente nos dias de hoje. E se isso pode ser dito em alguma escala a respeito dos nossos pastores, imagine à classe leiga da igreja! E é por que isso que tantas vezes a heresia se espalha como um câncer. Quando nos apoiamos nossas crenças somente no que ouvimos de outros, estamos abertos ao erro. Paulo, inclusive, sabia muito bem que a ignorância do conhecimento de Cristo unida ao fato de que essas filosofias, ideias e interpretações podem soar convincentes torna o engano um risco sem igual. Epictetus já advertia seus estudantes na antiguidade pra que tivessem cuidado com o poder enganador da argumentação.[7] Mas não precisamos ter medo, se tivermos consciência de que “onde quer que os homens negligenciem o testemunho da Escritura Sagrada, desviando-se das verdades claras que servem para provar a espiritualidade e que exigem a renúncia de si mesmo e a do mundo, podemos estar certos de que ali não é outorgada a bênção de Deus.”[8]

Embora seja tolice achar que a democracia dos mortos, ou do tempo, seja o caminho para o céu, também precisamos tomar cuidado com o outro extremo: o progressivismo que olha para a sabedoria do passado com desdém. “Essa é a estratégia do diabo para nos pegar. Ele sempre envia ao mundo erros aos pares – pares de opostos. E sempre nos estimula a desperdiçar um tempo precioso na tentativa de adivinhar qual deles é o pior. Sabe por quê? Ele usa o fato de você abominar um deles para levá-lo aos poucos a cair no extremo oposto; mas não nos deixemos enganar[9], pois as tradições não são ruins em si mesmas.  Elas não são, na verdade, nada mais do que um meio, que pode ser usado para qualquer finalidade. O dicionário Priberam da Língua Portuguesa  define a palavra da seguinte maneira:

tra·di·ção

substantivo feminino

  1. Via pela qual os fatos ou os dogmas são transmitidos de geração em geração sem mais prova autêntica da sua veracidade que essa transmissão.[10]

Em 2 Tess. 3:6, por exemplo, Paulo recomenda o uso da tradição como critério de legitimidade. Mas por quê? Porque a tradição recebida pelos apóstolos estava de acordo com a palavra de Deus – a saber, era o ensinamento de Cristo. Em Colossenses, a ideia é a mesma: o perigo são as tradições que não estão de acordo com Jesus e sua Palavra. Portanto, nossa tarefa deveria ser, nas palavras de John Stott,[11]sujeitar cada tradição, embora antiga, ao fresco escrutínio da bíblia e, se necessário, reformá-la”. É aqui que começa qualquer reavivamento e reforma verdadeiro – na verdadeira santificação.[ii]

Embora o que tem sido comentado se aplique de forma especifica ao nosso ambiente religioso e seus arredores, também, assim como Paulo, não podemos negligenciar a influências dos “enganos vazios” que surgem de nossa cultura dominante. Era assim em seu tempo, é assim agora. Iludir-nos-emos se acharmos que o jeito de pensar refletido pela cultura secular é inofensivo. Como Francis Schaeffer comenta, “A grande massa recebeu o novo modo de pensar mediante os meios de comunicação de massa sem analisa-lo.”[12] .É imensurável o quanto nosso consumo de arte altera nosso jeito de pensar, embora continuemos a passar por alto esse fato.

A realidade é que nossa sociedade contemporânea desenvolveu uma dependência do entretenimento. O problema é que frequentemente (se não sempre!) subestimamos a influência das manifestações culturais que fazem parte do nosso dia-a-dia, como filmes, músicas, seriados, livros etc. Brian Godawa, produtor cristão de Hollywood, em seu livro “O Cinema e a Fé Cristã”, comenta:

“Quando se conhece um pouco sobre a arte de contar histórias […] passa-se a vê-la como ela realmente é: um meio de comunicar visões de mundo[…]”.[13] Ao mesmo tempo que nossa cultura representa o que vivemos, ela também tem a capacidade de reforçar certas visões de mundo e influenciar a forma como as pessoas enxergam as coisas. O verdadeiro problema se encontra no fato de que de nós acabamos consumindo essas manifestações artísticas de forma muito passiva e sem discriminação. São os que Godawa chama de “glutões culturais”. Como ele diz, “Não existe um pingo de ironia que a palavra diversão signifique “mudança de direção”, “desvio”. A própria nomenclatura sugere “ilusão” ou “engano”. Infelizmente, muitas vezes é isso que acontece quando as luzes se apagam e o filme começa a rodar. Suspendemos nossas descrenças e, junto com elas, nosso senso crítico.”[14]

Se nos tempos de Paulo havia falsos mestres para ensinar religiões místicas, filosofias vazias e contrárias ao conhecimento de Cristo, hoje nós temos um completo sistema de entretenimento fomentando a “experiência mística” da diversão e cumprindo esse trabalho em maior ou menor escala, embora essa não seja sua agenda.[iii] E ao nos relacionar indiscriminadamente com esse sistema, da mesma forma que estamos sujeitos a confundir tradições às mensagens bíblicas se não conseguimos distingui-las, estamos sujeitos a confundir as visões de mundo diversas com nossa perspectiva cristã se não conseguimos dissecá-las e criticá-las.

É por isso acredito que o conhecimento Bíblico, o desenvolvimento intelectual e a capacidade de analisar nossa cultura dominante, seja um dever, e não uma opção, para todos aqueles que querem se apegar a Cristo como não só Salvador, mas Senhor da nossa vida em vez de simplesmente fazer parte do que Paul Washer chama de “circo, conhecido como igreja evangélica moderna”. Mas para isso precisamos sair da letargia e começarmos a nos preocupar em ter o cuidado com o qual Paulo se refere e nos adverte.

Porque no fim das contas, “Deus terá sobre a Terra um povo que mantenha a Bíblia, e a Bíblia só, como norma de todas as doutrinas e a base de todas as reformas[15] e não seus gostos pessoais, as tradições, a cultura, ou até mesmo a ciência. Pois “a Palavra de Deus é a grande detectora de erros; acreditamos que os equívocos devem ser levados a ela. A Bíblia deve ser o padrão para todas as doutrinas e práticas. Precisamos estudá-la com reverência. Não devemos aceitar a opinião de ninguém sem antes compará-la com as Escrituras. Nela se encontra a autoridade divina, a qual é suprema em questões de fé”.[16] O foco será o Cristo exaltado por Paulo, revelado a nós pela palavra do Deus vivo. Se precisarmos de acréscimos, sejam tradições ou filosofias contrárias à Cristo, talvez não tenhamos entendido ou aceitado o que foi feito por nós naquela cruz.

 “Muitos se perderão porque não estudaram as Escrituras de joelhos, em oração fervorosa a Deus para que a absorção da Palavra forneça luz a seu entendimento. […]”[17], mas nós não precisamos estar entre eles.  Podemos verdadeiramente seguir a Jesus, em vez da sombra de um espantalho dEle.

Referências:

[1] De acordo com o Strong’s Exhaustive Concordance, paradosin vem de paradidomi ,significa transmissão, i.e. (concretamente) um preceito; especialmente, a lei tradicional judaica – ordenança, tradição.

[2]  (Contempl. 3; cf. Decal. 53)

[3] Veja, por exemplo, os textos de 24 a 31/08 da meditação diária de 2015, “Para Não Esquecer”, que expõe a discussão sobre a natureza da lei em gálatas, em 1888.

[4] CANALE, F. From Vision to System: Finishing the Task of Adventist Theology. Part I: Historical Review, Journal of the Adventist Theological Society, 15/2 (Autumn 2004): 5–39

[5] WHITE, E. em “Parábolas de Jesus”, p. 119. CASA:SP.

[6] WHITE, E. em “O Grande Conflito”, p. 593. CASA: SP.

[7] Diatr. 1.8.7

[8] WHITE, E. em “Reavivamento Verdadeiro”, p. 16.

[9] LEWIS, C. em “Cristianismo Puro e Simples”, p. 194. Versão para Kindle.

[10]tradição”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/tradi%C3%A7%C3%A3o [consultado em 25-08-2015].

[11] Entrevista com Roy McCloughry (Third Way in 1995, vol 18.8)

[12] SCHAEFFER, F. em “A Morte da Razão”, p. 50. Ed. Ultimato: MG.

[13] GODAWA, B. em “O Cinema e a Fé Cristã”, p. 18-19. Ed. Ultimato: MG.

[14] Ibid.

[15] WHITE, E. em “O Grande Conflito”, p. 595. CASA: SP.

[16] WHITE, E. em “Carta 20, 1888”.

[17] Ibid.

[i] Paulo utiliza diversos termos comuns na filosofia agnóstica, como pleroma, gnosis, sophia, stoicheia. É interessante perceber como esse argumento se contrasta com a crença gnóstica, que acreditava que o homem está preso neste mundo de matéria má e só poderia se aproximar de Deus através da mediação de seres angélicos (conf. 2:18). Com a ajuda desses poderes e através da interpretação mística das Escrituras, a iluminação espiritual pode ser alcançada e a redenção do mundo do pecado e da matéria pode ser garantida. (Moody Bible Commentary, Colossians).  Essas ideias gnósticas possivelmente se misturaram com o legalismo judaico, levando ao contraponto de Paulo, que diz que a divindade habita inteiramente em um corpo humano (que não é mal em si mesmo) e que através de Cristo, somente, temos a presença de Deus e a redenção do pecado (como natureza do homem e não da matéria), desmerecendo para tanto a prática que os judeus julgavam ser capaz de tornar um homem filho de Deus: a circuncisão da carne (Rom 2:28-29, Fp 3:3).

[ii] “A verdadeira santificação é doutrina bíblica. O apóstolo Paulo, em carta à igreja de Tessalônica, declara: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.” E roga: “O mesmo Deus da paz vos Conversões: falsas ou verdadeiras 19 santifique em tudo”. 1 Tessalonicenses 4:3; 5:23. A Bíblia ensina claramente o que é a santificação, e como deve ser alcançada. O Salvador orou pelos discípulos: “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade”. João 17:17. E Paulo ensina que os crentes devem ser santificados pelo Espírito Santo. Romanos 15:16. Qual é a obra do Espírito Santo? Disse Jesus aos discípulos: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade”. João 16:13. E o salmista declara: “Tua lei é a verdade”. Salmos 119:142. Pela Palavra e pelo Espírito de Deus se revelam aos seres humanos os grandes princípios de justiça incorporados em Sua lei. E desde que a lei de Deus é santa, justa e boa, e cópia da perfeição divina, segue-se que o caráter formado pela obediência àquela lei será santo. Cristo é um exemplo perfeito de semelhante caráter. Diz Ele: “Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai.” “Eu faço sempre o que Lhe agrada”. João 15:10; 8:29. Os seguidores de Cristo devem tornar-se semelhantes a Ele — pela graça de Deus devem formar caráter em harmonia com os princípios de Sua santa lei. Isso é santificação bíblica.” WHITE,E. em “Reavivamento Verdadeiro”, p.18-19.

[iii]  Diversos críticos concordam, por exemplo, que os recentes filmes bíblicos, como Noé e Êxodo deixam evidentes suas perspectivas gnósticas em relação à divindade. Leia por exemplo, o excelente texto crítico sobre Noé disponível em http://www.aleteia.org/pt/artes-entretenimento/artigo/filme-noe-o-show-de-cabala-e-gnosticismo-que-quase-ninguem-percebeu-5289916971876352?page=2. Esse é só uma demonstração de como as mesmas filosofias que afetaram a igreja de Paulo ainda nos alcançam com suas influências em maior ou menor escala. Mas ainda assim, diversas outras lutam por seu espaço em nossa mente;  nossa ignorância e despreparo para lidar com isso é simplesmente aterrorizante.


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