Estágios da Fé (Parte 2/3) – Da Jornada Interior ao Amor Incondicional

4. Descobrindo o Propósito Único de Deus – A Jornada Interior

 Alguns chamam essa fase de “A Jornada Interior”. O resultado da noite escura da alma é uma jornada para dentro, para descobrir nosso verdadeiro eu, nosso verdadeiro propósito.  Nós tínhamos um forte senso de propósito no estágio três, mas ele era muito mais dirigido pela igreja e pelos nossos telaentos do que pela direção de Deus. No estágio quatro, nós gastamos mais tempo sozinhos, amamos estudar mais profundamente e orar. Ficamos ansiosos pelo tipo de mentores que andaram nessa trilha antes e podem nos ajudar a cavar além da superfície.

Embora estivéssemos em relacionamento com Deus, desejamos algo mais profundo – tanto com Ele quanto com os outros. Sentimo-nos frustrados com os relacionamentos superficiais e queremos ir mais fundo com as outras pessoas (alguns perceberam que não estão prontos para isso).

Estávamos satisfeitos com uma sensação geral da direção de Deus em nossas vidas, mas agora queremos uma direção mais pessoal de Deus. Queremos descobrir nossa unicidade – o propósito excepcional que Deus desenhou para nós desde o começo.  Isso é crucial para esse momento da caminhada espiritual.

Você  pode descobrir que muitos dos ritos e práticas da sua tradição de fé não funcionam mais para você, mas ainda assim perceber-se mais ligar a aqueles, nessa mesma tradição, que encontraram seu propósito único também. Esse também é um momento de experimentar a cura de questões psicológicas e espirituais que não haviam sido resolvidas. Você está cada vez mais se tornando uma pessoa completa, preenchendo as lacunas e provando algo do que poderia ser uma caminhada mais intima com Deus. Em um sentido, é um movimento de cabeça para coração. É como uma segunda conversão. O romance com Deus retorna, mas em um nível muito mais profundo do que antes.

Considerando que o quarto estágio do desenvolvimento espiritual se refere a relacionamento, quero compartilhar um resumo útil dos estágios da amizade. Devo-os a meus bons amigos Bill Underwood e Ed Dickerson. Cada estágio oferece um aumento tanto na intimidade quanto na vulnerabilidade. É o aumento na vulnerabilidade que faz com que algumas pessoas se tornem relutantes em se aproximar de alguém. Mas aqueles na quarta fase da vida espiritual estão cansado de relacionamentos superficiais e anseiam por intimidade e vulnerabilidade.

  1. O primeiro estágio da amizade é a fase de cumprimentos. Pense nos desconhecidos andando rua, por exemplo. Um contato mesmo esse estágio pode fazê-lo sentir-se vulnerável.
  2. O segundo estágio é a fase dos fatos e relatórios, quando as pessoas sentem-se à vontade de compartilhar informações tão simples quanto “Hoje o dia está ensolarado”.
  3. O terceiro estágio da amizade é a fase das opiniões e julgamentos. A opinião de alguém o torna vulnerável pelo mero compartilhamento. Se outro rejeita minha opinião, isso mexe um pouco mais comigo do que o simples fato de ele não gostar da minha camiseta.
  4. O quarto estágio é quando nós nos tornamos confortáveis suficientes no relacionamento que desejamos compartilhar como nos sentimos. Ter os sentimentos rejeitados é muito mais doloroso do que ter as opiniões rejeitadas.
  5. O quinto estágio é quando nos sentimentos à vontade para compartilhar nossos erros com os outros. Esse também é o estágio em nosso relacionamento com Deus quando confessamos nossos pecados e recebemos salvação. O que poderia ser mais profundo do que isso?
  6. O estágio seis é quando confiamos o suficiente para permitir que os outros confrontem nossos erros. Isso caracteriza um relacionamento muito profundo e ocorre em ambas as direções. Mas frequentemente, em contextos religiosos, as pessoas sentem-se a vontade para confrontar os outros sem ter ganhado o direito de fazer isso. Faça aos outros…
  7. O sétimo estágio é a intimidade total, onde segredos não existem entre nós. Esse nível de amizade é raro na terra, se é que existe afinal.

Conforme entramos em relacionamentos, subimos essa ladeira, checando constantemente para ver se o outro lado também está disposto a ser vulnerável como nós.

Se um relacionamento está na fase dois (fatos e relatórios) , um dos lados eventualmente emitirá uma opinião ou julgamento para ver como o outro responde. Se o relacionamento sobreviver a essa jogada, ele cresce. Se não, o lado que se aventurou pode dar uma passo para trás e relegar aquele relacionamento à categoria casual.

No casamento, por exemplo, um dos problemas é que um dos cônjuges confronta o erro do outro, enquanto a parte confrontada não está disposta a compartilhar sentimentos, quanto mais erros! Esse é um relacionamento desequilibrado. Precisamos merecer nosso lugar na intimidade do outro.

Existem muitas outras implicações desses estágios da amizade, mas eles terão que ser explorados em outro momento.

Na vida espiritual, as pessoas no estágio quatro tendem a ficar muito impacientes com relacionamentos superficiais. Elas tendem a forçar a intimidade o mais rápido possível. É aí que o verdadeiro crescimento acontece. Mas a maioria das pessoas não estão igualmente dispostas, fazendo com que aqueles no estágio sintam-se frequentemente sozinhos, ou conectem-se profundamente com somente uma ou duas pessoas.

O circuito coquetel, onde pessoas andam por uma sala e compartilham fatos, relatórios e uma opinião ou duas, mas mantêm os níveis mais profundos de si mesmos trancafiados são de pouco interesse para alguém no estágio quatro.

Como você reconhece alguém nessa fase? Eles estão sempre fazendo perguntas desafiadoras. Enquanto isso possa indicar falta de fé, em uma pessoa espiritual é um sinal de que Deus as está chamando para um relacionamento mais profundo. Elas gostam de estar sozinhas, mas estão ansiosas para serem mentoras.

Encrenqueiros simplesmente gostam de confundir as pessoas com suas perguntas, mas os cristãos no nível quatro estão realmente buscando respostas. Quando encontram a pessoa certa, eles abrem seus corações muito rapidamente. Enquanto encrenqueiros usam suas perguntas para evitar relacionamentos com pessoas espirituais, as pessoas no estágio quatro usarão suas perguntas para determinar quem está disposto de ter um relacionamento mais profundo.

4.1 Perigos no Estágio da Jornada Interior

Existem perigos para o estágio quatro também; lugares onde as pessoas podem “entalar” e parar de crescer espiritualmente. Nessa fase, existe o risco de chafurdar no pensamento negativo ou desencorajamento. As pessoas nesse nível as vezes se consomem com autoavaliações. Gastam muito tempo pensando, processando, em autoabsorção. Podem estar constantemente pensando “Por quê?” e nunca encontrar respostas. Podem até curtir o senso de ambigüidade espiritual (isso pode deixar seus amigos loucos). Sentem que ninguém os entende (e algumas vezes estão certos). Eles podem se tornar imobilizados pela luta.

Existe uma dúvida que leva à fé (a verdadeira experiência do estágio quatro), mas também existe a dúvida que leva a mais dúvidas.

O estágio quatro é maravilhoso como uma transição para uma caminhada mais profunda com Deus. Mas pode ser um lugar miserável para ficar travado.

4.2 Como Ajudar Alguém no Estágio da Jornada Interior a Prosseguir

Encoraje-as a compreender que suas perguntas e dúvidas não são um rastejo para longe da jornada espiritual, mas um chamado renovado de Deus para um relacionamento mais profundo. Pessoas nesse estágio precisam de mentores que as afirmem e aceitem, pois elas tendem ser muito duras consigo mesmas. Ajude-as a saber que Deus está com elas nos seus questionamentos, em sua busca, e mesmo na dúvida. Encoraje-as a deixar Deus sair da caixa de onde Ele pode ter sido colocado nos estágios dois e três. Encoraje-as a se abrir ao ensino e liderança de Deus. Ajude-as a processar traumas passados honestamente e se você perceber que está além do seu alcance, indique-as a alguém melhor preparado para ajudar.

Com a ajuda de um mentor e bastante solitude, essas pessoas eventualmente estarão prontas para crescer para o próximo estágio. Elas poderão ouvir o chamado de Deus para voltar para o mundo novamente. A jornada interior (e a noite escura da alma) nos ajuda a encontrar nosso verdadeiro propósito e nos prepara para um serviço mais profundo aos outros.

5. A Jornada Exterior

No estágio quatro, uma pessoa espiritual luta para descobrir seu propósito único aos olhos de Deus. O egoísmo é gradualmente deixado de lado e Deus cada vez mais se torna o foco primário (ou até mesmo único) na sua vida. No estágio cinco, Deus leva essa pessoa de volta ao mundo e frequentemente ao mesmo tipo de ocupação que tinha antes (líder espiritual, professor, médico, conselheiro, etc), mas agora aquele trabalho será executado com um novo sentido de visão e propósito. O estágio quatro produzir mudança interna e agora você vai para fora, trazer essa mudança para o resto do mundo.

Pessoas transformadas podem transformar outras pessoas.

Mas existe uma diferença adicional nesse estágio. Na fase do sucesso (estágio três) você era guiado pelas necessidades da sua comunidade religiosa, sua família, seus amigos e as vozes escondidas do passado. Em um sentido real, você era gfuiado por várias formas de autointeresse. Mas no estágio cinco sua motivação vem de um chamado direto de Deus, e ninguém mais.

A liderança espiritual no estágio cinco é uma aventura além da zona do egoísmo. É desempenhada em prol dos outros com a preocupação de se agradar a Deus e somente a Ele. Agradar os outros é visto como outra forma de autointeresse (1 Tess. 2:3-6). Líderes no estágio cinco trabalham incansavelmente por Deus. Estão confortáveis em ralar pelo sucesso de uma comunidade ou instituição sem receber nenhum crédito por mudanças positivas. Seus esforços podem ser instrumentais para o sucesso e embora seu trabalho frequentemente passar desapercebido, estão contentes na certeza de que Deus os reconhece. Essa nova perspectiva está fundamentada no crescimento e na cura que aconteceu no estágio quatro.

Exteriormente, a liderança nesse estágio pode não parecer tão diferente do três, mas a motivação e a paixão são mais autênticas. Surgindo de uma nova visão e propósito, há um foco cada vez maior  na compaixão e cada vez menor no “sucesso” e na reputação. Aqueles que sofreram profundamente estão atentos ao sofrimento dos outros. A motivação espiritual nesse estágio vem de duas coisas: o propósito de Deus e compaixão pelos outros. Descobrimos que cumprir o propósito de Deus com as nossas vidas também satisfaz os nossos desejos mais profundos, desejos dos quais nós possivelmente nem estávamos conscientes antes.

No passados éramos motivados pelo senso de dever, mas agora somos motivados por amor pelos outros concedido por Deus. No estágio três as pessoas frequentemente são estressadas e impulsivas; o estágio cinco trás uma espécie de tranquilidade, calma e paciência. Quando você coloca tudo nas mãos de Deus, você pode dormir a noite sabendo que é Ele, realmente, quem está no controle.

Esse foco em Deus frequentemente impacta a profissão de alguém nesse estágio da vida espiritual. Essas pessoas frequentemente mudarão a direção na vida para uma vocação que é menor, mais humilde, mais arriscada ou simplesmente nova. Os melhores líderes em uma instituição podem deixar sua posição e substituí-la por algo pequeno, isolado, aparentemente menos importante para o sucesso da instituição. Lembro-me de Albert Schweizer, uma figura mundialmente reconhecida em três áreas: música, estudos teológicos e medicina. Ele desistiu de tudo para assumir uma estação missionária remota na Africa Ocidental e simplsemente desaparecer do palco do mundo. Ainda assim, o exemplo que ele lançou provavelmente motivou muitos mais pessoas em uma direção espiritual positiva do que sua música ou seus artigos teológicos jamais conseguiriam.

Como reconhecer esse estágio em alguém? Ele é parecido com o terceiro (estágio do sucesso), mas as motivações  são diferentes. Essa pessoa é paciente e tranquila, em vez de estressada e impulsiva. É como se ela tivesse saido de uma crise profunda, sem medo das pessoas ou de qualquer situação que possa surgir. Lembro-me de Daniel. Depois da cova dos leões, que rei conseguiria intimidá-lo? Como mencionei acima, as pessoas nesse estágio frequentemente mudam de emprego, missão e/ou localidade de uma forma que mistifica os outros. Mas eles estão vivendo o propósito de Deus, não o propósito que outros colocaram perante eles. Como um resultado, o estágio cinco é muito mais mal interpretado do que o terceiro. Os caminhos dos seres humanos e suas instituições não são os caminhos de Deus (Isa 55:8-9).

5.1 Perigos no estágio da jornada exterior

Um dos problemas marcantes nesse estágio é que as pessoas podem parecer desconectadas com todo o resto. Elas estão marchando no ritmo de outros tambores. Elas ouvem a suave, tranquila voz de Deus, a qual, para a maioria, está perdida em meio a cacofonia das vozes terrestres e o barulho do background. Eles podem parecer indiferentes a algumas das preocupações práticas da vida diária. Tornaram-se contra-culturais. Recebem as ordens de marcha diretamente de Deus e não mais se encaixam nas expectativas de um mundo que está aí para ser produtivo e vencer. Pessoas em estágios anteriores podem até pensar que eles “perderam a cabeça”.

“Ele costumava ser bem sucedido, mas não sei, ele se perdeu em algum lugar.”

As pessoas no estágio cinco podem realmente parecer descuidadas com as coisas que “realmente importavam” nos estágios anteriores. Eles não são mais  atraídos por controvérsias religiosas. Não mais estão interessadas na disputa sobre detalhes de doutrinas e regras. Eles podem até parecer menos “espirituais”. Eles se conectam com Deus naturalmente no curso do dia e não sentem tanta necessidade de rituais de devoção e disciplina.

5.2 Como ajudar alguém nesse estágio a avançar

Mentores podem ajudar pessoal nessa fase a continuar seu desenvolvimento espiritual encorajando-as a olhar para tudo e todos através dos olhos de Deus e através das lentes da sua revelação. Quando outros não entendem o que Deus está fazendo na vida deles, encorajem-nos a ter uma atitude santificada de “não me importo”. Porque não importa, realmente, o que os outros pensam quando você está vivendo o propósito de Deus na sua vida.

A essência do estágico cinco é ser guiado pelo chamado de Deus e a paixão resultante por agradá-lo, em vez das expectativas dos outros. Líderes nessa fase são guiados pela compaixão por aqueles com quem os outros não se importam e ao fazer isso eles estão afinando seus corações ao de Deus.

Mas nesse estágio, algo inesperado acontece.

A noite escura da Alma II : A Continuação

Até agora, eu venho catalogando uma série de estágios na vida espiritual. Observamos o crescimento espiritual de um romance inicial com Deus, passamos pelos períodos de discipulado  e fomos até o sucesso na liderança espiritual. Aquele período de “sucesso” trás todas as marcas do triunfo espiritual, ou pelo menos assim parece, de acordo com as expectativas humanas. Mas em algum momento desse “período”, surge uma noite escura para a alma, que revela o egoísmo escondido, motivos mistos e um comprometimento maior aos conceitos de sucesso humano do que ao chamado de Deus. A noite escura pode começar a arrancar esse egocentrismo e conectar uma pessoa com Deus de uma forma mais profunda do que antes. Em vez de ser motivado pelo egoísmo interno ou as agendas dos outros, ou até mesmo de uma instituição religiosa, e ou ela ouvem o chamado para uma caminhada mais intensa e abnegada com Deus.

No estágio quatro, uma pessoa descobre o propósito único que Deus tem para a sua vida. Ao conhecimento “cabeça” de Deus, é adicionado o conhecimento “coração”, conduzido mais pela compaixão do que pelos fatos. Enquanto no estágio quatro eles buscavam solitude e a atenção de mentores, no estágio cinco eles voltam para o mundo, fazendo muitas das coisas que faziam antes, mas agora com diferentes motivos, diferentes propósitos. Suas vidas são guiadas mais pela conexão com Deus do que pelo consenso de comissões ou a direção de outros. Eles colocam em prática o que significa “andar com Deus”.

Alguém poderia pensar que quanto mais perto você está de Deus, mais você se afina com Sua vontade e Seus caminhos e mais você é apreciado pelos outros que também estão em uma jornada espiritual, bem como pelas instituiçoes religiosas. Mas o caso oposto é frequentemente o caso. A segunda noite escura da alma é a descoberta de que quanto mais perto você anda de Deus, mais você parecerá estar fora do passo em relação às comunidades religiosas e menos você será entendido pelos outros, embora eles também estejam em uma jornada espiritual. Conforme a aprovação de Deus se torna mais profunda, a desaprovação dos outros se torna um fardo que você precisa carregar. Foi dito a respeito de Jesus que Ele nem se permitia orgulhar-se pelo aplauso, nem abater-se pela censura. Mas no estágio cinco, a dor da rejeição ainda é sentida e frequentemente nos precipita em um segundo negror da alma. Essa noite escura pode, claro, surgir por outras razões, mas a rejeição é frequentemente a principal.

Qual é o propósito do plano de Deus?  Outra oportunidade de cura. Outra oportunidade de crescimento.

Seres humanos são como cebolas, com camadas sobre camadas de egoísmo e fugda de Deus que precisam ser descascadas uma por uma. Em um sentido real, a noite escura pode manifestar-se multiplas vezes conforme Deus engaja o coração humano em uma jornada que leva cada vez mais perto dEle.

Eu acredito que Scott peck estava no caminho certo quando ele observou “Somos atraidos pelas pessoas que estão em um estágio a frente de nós. É por isso que Jesus foi morto, judeus e romanos pensaram que ele era mal.” De fato, o mentorado acontece melor quando você está um estágio a frente da pessoa a quem você está mentorando. Estar dois estágios a frente de alguém é perplexador. Eles não tem nenhum contexto para entender o que Deus está fazendo na sua vida. Sua tentativa de envolvê-los da sua perspectiva pode causar mais mal do que bem. Mas a coisa só piora: se você estiver três estágios a frente deles, eles não irão elogiá-lo – mas podem simplesmente tentar matá-lo! Esse é um dos grandes “catalisadores” da segunda noite escura da alma: a consciência de que a jornada espiritual não nos leva de triunfo a triunfo, mas na realidade nos leva a a uma descoberta cada vez mais profunda do sofrimento que Jesus suportou por nós.

Agora você deve estar desejando que eu tivesse parado no estágio três. Mas essa não seria a verdade. Nas palavras de Dietrich Bonhoeffer, “Quando Cristo chama um homem, Ele o chama para vir e morrer.”

Isso trás a mente a segunda noite escura da vida e ministério de Jesus. A primeira veio no deserto, onde Ele jejuou por quarenta dias e noites, buscando clareza a respeito da Sua missão no propósito de Deus. Lá Ele foi assaltado pelo Diabo, mas voltou com uma visão renovada e um sentido claro do propósito de Deus para a vida dEle. Mas uma noite muito mais escura aconteceu no jardim do Getsemane. Lá Ele lutou com o custo completo de seguir o plano de Deus, um plano que o chamava para a morte por aqueles que não pareciam se importar de uma forma ou outra. O Getsemane ocorreu na presença da evidência viva (Seus discípulos) de que aqueles por quem Ele se sacrificaria não entendiam ou apreciavam o que Deus O havia chamado para fazer por eles.

Em um sentido muito real, a segunda noite da alma trás para os seres humanos o gosto da última experiência de Jesus. Através desta, nossos corações são amarrados mais profundamente ao coração de Deus do que qualquer outra experiência poderia realizar. Eu preciso deixar claro que cada noite da alma é uma realidade e uma parte necessária na caminhada com Deus. Nós podemos desejar que isso fosse diferente. Podemos preferir o evangelho do sucesso no qual o dinheiro e os elogios fluem constantemente na direção daqueles que são fiéis a Deus. E isso não é uma crítica áqueles que são “bem sucedidos”. Em vários estágios do desenvolvimento espiritual nós podemos experimentar o sucesso em termos humanos também.

Mas a noite escura toma diferentes formas para diferentes pessoas. Para alguns, é um grande, sobrepujante fardo que ocorre uma ou duas vezes e nunca mais. Para outros, são pequenas “doses de escuridão” que se repetem vezes e vezes. Para alguns é algo relativalmente facácil de se suportar. Para outros, como Madre Teresa, a noite escura pode durar décadas. Por que todas as diferenças? Está na mão de Deus, que sabe melhor o que nós precisamos. A importância de notar isso aqui é para que nós não desfaleçamos, achando que fomos rejeitados por Deus em um sentido absoluto. A noite escura é na realidade boas novas. É uma indicação de que Deus não terminou conosco, de que existe mais a frente, de que Seu propósito para nós é mais profundo do que podemos imaginar agora.

Quando bebemos de Cristo em cada noite escura, estamos pronto para a jornada que está a frente.

6. A Vida de Amor Incondicional

Aqueles que conseguem atravessar a segunda noite escura alcançam o sexto estágio, a fase onde onde o amor incondicional se torna a regra da vida. Muitos poucos vivem consistentemente nesse estágio por muito tempo. As pessoas nesse estágio são compassivas em relação às outras, mesmo sob extremas dificuldades. O amor de Deus flui através delas em todas direções. Essas pessoas alcançam aqueles que a feriram, que as rejeitaram e também aqueles quem eles costumavam desprezar.

Eles permitiram que Deus mudasse seus corações para experimentar Sua misericórdia e comapaixão mesmo por seus “inimigos”.  Muitos sentem-se elevados simplesmente por estar em sua presença. Pessoas no estágio seis aprenderam realmente como perdoar. Eles vêem os outros através dos olhos de Deus. O comportamento de Deus se torna seu modelo (Mt 18:23-35). Eles tratam os outros como se estivessem servindo a Deus em pessoa (Mt 25:31-46).

As pessoas nessa fase podem não renunciar as coisas materiais completamente, mas certamente precisam de menos do que os outros. Eles estão livres das coisas que trazesm ansiedade aos outros. Se você não precisa de coisas materiais para estar contente, você não temerá perdê-las, e você não se preocupará se, de fato, perdê-las. Há uma espécie de paz inteiror, um contentamento que nada parece abalar. Pessoas no estágio seis não tem a ambição de serem reconhecidas, notáveis, ricas, bem sucedidas, orientada a objetivos ou até mesmo espirituais. Elas não desfalecem quando outros as criticam porque seu inteiror, sua alma está enraizada no amor e na aprovação de Deus.

Já que o estágio seis é o objetivo da jornada, não existem mentores para pessoas nesse estágio. Em vez disso, eles são mentorados diretamente por Deus. Também não faz sentido em falar sobre “ficar preso” no estágio seis. A única questão seria manter-se lá. Como na fase anterior, as pessoas no estágio seis podem parecer desconectadas da vida real, negligenciando suas próprias necessidades pessoais, gastando suas vidas fazendo coisas que não parecem produtivas em termos mundanos. Ainda assim, eles são serenos no conhecimento de que estão fazendo a vontade e seguindo a liderança de Deus. Se Ele aprova, não importa o que o resto do mundo pensa.

Enquanto essas pessoas são uma benção enorme para o mundo, eles tem uma extrema dificuldade de se encaixar em instituições religiosas ou mesmo na sociedade humana comum. Alguém poderia pensar que o amor incondicional faria com que fossem as pessoas mais populares na terra. Mas o contrário é o caso. Não existe comportamento mais desestabilizante do que o amor incondicional. As pessoas nesse estágio amam a todos, incluindo aqueles que eu não suporto. A único coisa que eu não permito que você faça é amar meu inimigo. De fato, inimigos tem sido conhecidos por se reconciliar para se livrar de alguém que ama a todos. Foi isso que aconteceu com Jesus. Pilatos e Herodes se reconciliaram com o julgamento e condenação de Jesus. Pessoas que amam a todos frequentemente se acham isolados de quase todos, porque eles parecem ser uma ameaça para um sistema que favorece um em lugar de outro, sejam indivíduos ou grupos.

O Sermão do Monte (Mt 5-7) é para as pessoas no estágio seis. Ninguém mais saberia sequer onde começar com essas palavras de Jesus. Pessoas nessa fase sabem o que significa serem pobres de espírito, mansos, famintos e sedentos de justiça. Você pode bater na cara de alguém nesse estágio sem ver a fúria se levantar para responder. Eles podem simplesmente oferecer o outro lado. Esse não é o comportamento humano normal, é “cristão”, parecido com Jesus, com Deus. Como eu disse, poucos viverão consistentemente nesse nível durante essa vida. Jesus estava falando do estágio seis quando disse, “Quem quer que encontrar sua vida, perde-la-á e quem quer que perdê-la, encontra-la-á.” (Mt 10:39)

Nós podemos preferir que os estágios da fé tivessem terminado no terceiro, o sucesso em termos humanos. Gostaríamos de crer que quanto mais perto chegamos a Deus, mais os outros nos reconhecerão por essa intimidade com Ele e nos honrarão, como fazem com os profetas do passado. Mas os profetas não foram honrados em seu tempo de vida porque estavam completamente fora do passo das normas religiosas aceitáveis de seu tempo. Somente à distância nós conseguimos ver claramente o trabalho de Deus na vida deles. A presença viva deles nos deixaria loucos, assim como aconteceu nos tempos bíblicos. A jornada da fé não leva à glória em termos humanos, mas leva à glória aos olhos de Deus e isso é o que significa crescer espiritualmente.

Tudo gira em torno de Jesus, encontrá-lo, conhecê-lo, ensinar outros sobre Ele, aprender a ouví-lo, ver o mundo através de Seus olhos, amar os outros da forma como Ele ama.

Tudo gira em torno de Jesus.


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