Exposições de Levíticos: Introdução (Lv. 1:1)

coluna-fogo

Hoje começamos em nossa igreja uma classe bíblica sobre Levíticos. Nós vamos passar o resto do ano estudando esse livro aos domingos, com base no comentário Bíblico escrito por Roy Gane. Semanalmente eu vou postar o texto que usei para montar a classe da semana, para quem perder poder ler. Os slides estarão na aba downloads do blog, fique à vontade para usar. O vídeo com um panorama geral do livro, criado pelo Bible Project pode ser assistido clicando aqui.

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Por que estudar Levíticos? O que uma cultura obsoleta, antiga, tem a dizer para cristãos modernos? Não podemos começar sem antes responder essa pergunta.

Podemos considerar 2 motivos principais:

  1. 2 Tim 3.16 diz que “toda escritura” é inspirada por Deus e útil para ensino (…). Toda escritura é toda escritura. Isso inclui o livro de Levíticos, com todas suas leis e regras difíceis de entender.
  2. O NT faz alusão ao sistema de rituais a fim de explicar o que Cristo cumpriu e cumpre por nós. E isso indica que esse conhecimento é de grande ajuda, senão indispensável para compreender a riqueza da salvação em Jesus.
    Como sombras, o antigo sistema de sacrifícios que era necessariamente repetido vezes e vezes e oficiado por sacerdotes imperfeitos não podia remover pecados (Hb 10:1-4)
    Entretanto, eles eram desempenhados na terra, onde as pessoas poderiam participar. Assim eles serviam um propósito útil, como ilustrações dramáticas. Nenhum tipo de sacrifício, sozinho, como veremos futuramente, poderia adequadamente prefigurar a riqueza do Sacrifício de Cristo, assim como nenhuma figura sozinha em um livro de anatomia e fisiologia poderia capturar toda a complexidade de um organismo vivo. Mesmo assim, nós podemos nos beneficiar dessas figuras, porque elas quebram em pedaços menores a complexidade de forma que possamos compreender e responder a um aspecto por vez, construindo o quadro completo e magnífico em nossos corações.
    Você pode até achar essas “figuras” inúteis. Mas pense comigo: Por que um estudante de medicina gastaria
    horas com desenhos distorcidos, diagramas e explicações em um livro didático de anatomia e fisiologia quando corpos humanos vivos e reais estão disponíveis para examinação? Eu acredito que você não se submeteria a um médico desses, não é?
    Porque o livro didático, com suas figuras distorcidas ensinam o futuro médico o que ele deve prestar atenção quando for confrontado com a coisa real. Semelhantemente, nós precisamos de levíticos como um livro didático, para que ao encontrarmos Cristo e seu sacrifício, tenhamos visão do quadro inteiro e seu impacto completo.

É melhor você não continuar acompanhando essa série de estudos, se não quiser ser desafiado.

Rob Bell, em “Life in Leviticus,” Leadership Journal 24, 2002:45 comenta,

“Por que começar uma igreja com Levíticos? Por que não uma série sobre relacionamentos ou ‘encontrando a paz’? Essa seria uma abordagem mais segura, de fato. Mas o livro de Levíticos não pode ser domesticado. Suas imagens são muito selvagens. Nós aventuramos em seu lar e deixamos que ele nos devorasse, acreditando que Deus nos entregaria uma imagem mais viva de seu Filho. … Nós descobrimos que a Bíblia é um todo orgânico: esses conceitos se conectam, essas imagens fazem sentido. Pela primeira vez, muitos em nossa congregação começaram a perceber: essa história é minha história. Esse povo é meu povo. Esse Deus é meu Deus.”

Panorama Geral

O livro é uma continuação da história da jornada épica de Israel em liberdade para Canaã.

Ele é o centro da Torah, pois estabelece os detalhes do relacionamento com o Deus Altíssimo;

Os Israelitas foram para o deserto no 3º mês após sair do Egito (Ex. 19:1). No final do livro de Êxodo, o tabernáculo é levantado: no dia 1º do mês 1 do ano 2 (Ex. 40:17). Números 1:1 começa exatamente 1 mês depois (Num. 1:1). Dessa forma, a moldura geral do livro de Levítico é UM MÊS no deserto do Sinai.

Levíticos 1:1

E o Senhor chamou a Moisés, da tenda do encontro. Ele disse: (…)” -Levíticos 1:1

A palavra E (hb. waw) indica que o livro de Levíticos é o próximo volume da série. O primeiro verso é uma continuação estrutural e gramatical dos anteriores, em Êxodo.

Além disso, existe um paralelo desse verso com o momento em que Deus chama Moisés no monte Sinai.

“A nuvem cobriu o Monte Sinai “(Ex. 24:16a)

“E o Senhor chamou a Moisés “(Ex. 24:16b)

“A nuvem cobriu a tenda do encontro “(Ex. 40:34-38)

“E o Senhor chamou a Moisés “(Lv. 1:1)

Esse paralelo é forte pois envolve a repetição de palavras em hebraico específicas (ksh, “cobrir”; qr’, “chamar”) e uma combinação única de palavras (wayyiqra ‘ ‘el Moseh, “E Ele chamou a Moisés”) e marca momentos singulares de transformação na vida de Israel, em direção à liberdade dos filhos de Deus..

A questão aqui é transformação.

Eles eram escravos em terra estranha.

Tornaram-se o povo de Deus, sob seu governo, indivisível, com liberdade e justiça para todos.

Mas não era suficiente. Para serem realmente livres, eles precisavam ser santos, tanto na adoração quando em outros aspectos da vida, e se relacionar com o Deus que romperia todas as barreiras para habitar entre eles.

Nós poderíamos considerar a revelação de Deus na sarça ardente, a revelação de Deus no monte Sinais e a revelação de Deus na tenda do encontro como os três maiores pontos da virada na história de Israel como escravos. Deus os havia prometido a terra de Canaã (Gn. 15:18-21); 17:7-8), mas foi no Monte Sinai que Ele fez uma nação de um grupo bagunçado de pessoas. Eles receberam uma constituição (sua lei, expressão do seu caráter), e uma casa branca portátil (o tabernáculo). Ele os ensinou como viver como uma nação sob Deus, indivisível, com liberdade e justiça para todos. Isso não era legalismo ou ritualismo. Era a sobrevivência de um povo, e somente como um povo eles poderiam sobreviver. Sem o Deus de Abraão para os uní-los, eles se espalhariam, estilhaçariam-se, seriam subjugados e por fim evaporados.

A despeito de provavelmente não termos o DNA de Abraão, ao pertencer a Jesus nós somos adotados na família de Abraão e nos tornamos herdeiros da promessa que Deus fez a ele (Gl. 3:8, 16 e 29). Esse Deus é o NOSSO Deus. A história desse povo é a nossa história.

Talvez estejamos livres do jugo da escravidão, já fazemos parte do povo de Deus, conhecemos suas leis mas…

Não temos um relacionamento com Ele. Não somos santos. Sua presença não preenche tanto nossa adoração quanto outros aspectos da nossa vida.

Pessoalmente, acredito que como povo adventista, muitos de nós pararam no Monte Sinai. Receberam a lei de Deus, passaram a ser povo de Deus. Mas não entenderam que esse Deus fez tudo isso graciosamente e, ele mesmo, provê que todas as barreiras sejam derrubadas para que nós sejamos amigos de novo e estejamos para sempre com ele. E Ele faz isso, através de Seu Filho, e nós não podemos ajudá-lo com nada.

Espero que durante essa série de estudos, nós tenhamos um vislumbre mais perfeito de Jesus e tudo o que Ele fez e tem feito por nós, para que sejamos Filhos dEle, livres, santos e amigos dEle. Porque…

O mesmo Deus dessas histórias continua a nos livrar da escravidão e nos transformar em um “povo escolhido, sacerdócio real, uma nação santa (1 Pe 2:9) para que ele habite conosco e seja nosso Deus (Ap 21:3).

Bibliografia

GANE, ROY. Leviticus, Numbers (The NIV Commentary of Application), Zondervan, 2004, versão para o software Logos Bible.


2 comentários sobre “Exposições de Levíticos: Introdução (Lv. 1:1)

    1. Fico muito feliz por você estar acompanhando Weslley! Tenho certeza que será muito enriquecedor!
      Se quiser, está convidado para vir qualquer dia aqui na nossa IASD! Fica bem pertinho do metrô conceição, na rua Leonardo da Vinci, 683. A classe acontece todo domingo, às 10h!

      Curtir

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