Exposições de Levíticos: Oferta Queimada (Lv 1.2-17)

Quando o Senhor chama Moisés da Tenda do Encontro (1:1), Ele não perde tempo em começar uma série de mandamentos a respeito do coração da adoração: os sacrifícios.

As “ofertas queimadas” são tratadas em primeiro lugar. Ela não é só a oferta mais antiga, mas também aquela que era oferecida diariamente, como atividade fundacional do santuário (Num. 29.6) e expressava a condição ou estado apropriado daqueles que professavam ser o povo da aliança de Deus.

  1. O sacrifício como interação do humano – divino

Sacrifícios podem parecer estranhos para nós, mas eles eram uma parte essencial da vida religiosa ao redor de todo mundo antigo, incluindo a Mesopotâmia, Anatolia, Egito, Siria / Palestina e Grécia. Para eles, isso não era nada estranho. Mas para nós o caso é totalmente diferente. Nós achamos grotesco e não entendemos muita vezes os significados dos rituais. Portanto, o primeiro passo é entender como devemos ler um texto ritual e como encontrar significado nele.

I.Sistemas de atividade x Rituais

Sistemas de atividades são um conjunto de atividades orientados a um resultado em particular. Por exemplo, considere o sistema de atividades vestir-se para o trabalho. Você se levanta de manhã e pega suas roupas – essas seriam as atividades pré-requisito, necessárias para que você comece o processo real de trocar de roupa. Depois de se vestir talvez você precise dobrar o seu pijama – e essas seriam as atividades pós-requisito. Esse processo de se vestir para o trabalho, pode fazer parte de um sistema maior de atividades, que podemos chamar de ficar pronto para o trabalho. Isso ilustra o fato que sistemas de atividades são hierárquicas (podem ser agrupados em pequenos sistemas que compõe sistemas maiores). Um sistema de atividade permite alguma flexibilidade, desde que você alcance o objetivo de ficar pronto para o trabalho (você pode, por exemplo, escovar os dentes antes de se trocar).

Rituais são sistemas de atividades, mas com uma diferença: eles sãos sistemas de atividades formulaicos, cujo valor está tanto no procedimento quanto no resultado.

II. Ao ler um texto ritual, precisamos separar as ações dos significados, caso contrário fica impossível entender adequadamente tais textos.

Sabendo disso, agora podemos ler adequadamente o texto:

O texto está dividido em um grupo e três subgrupos:

  • Quando (ki, v.2) alguém trouxer uma oferta – grupo de sacrifícios voluntários
  • Se(‘im, v.3) o holocausto (olah) for um sacrifício (qorban) do gado – subgrupo do gado
  • Se(‘im, v.10) o holocausto (olah) for um sacrifício (qorban) do rebanho – subgrupo do rebanho (cabras e ovelhas)
  • Se(‘im, v.14) o holocausto (olah) for um sacrifício (qorban) do rebanho – subgrupo de aves

As atividades são as seguintes:

  • Selecionar um macho sem defeito
  • Trazer à tenda do encontro
  • Colocar a mão sobre à cabeça
  • Matar o animal
  • Coletar o sangue
  • Aspergir o sangue nas pontas do altar
  • Esfolar o animal (remover a pele)
  • Desmembrar a carcaça
  • Alimentar o fogo do altar
  • Arrumar a lenha no altar
  • Apresentar as partes do corpo, cabeça e gordura interna no altar
  • Arrumar as partes no altar
  • Lavar entranhas e pernas
  • Apresentar entranhas e pernas no altar
  • Queimar a oferta COMPLETAMENTE

OBS: a essa lista poderíamos adicionar o sal (2.13)

Elas são basicamente as mesmas para uma oferta do gado (v.2-10) e do rebanho (v.11-17), sendo que para a oferta das aves (v.14-17), há algumas pequenas diferenças por conta do tamanho e constituição física do animal.

Agora, é importante notar que o significado de um ritual é encontrado em seu objetivo inabitual. Se olhássemos para esses procedimentos de uma forma mundana (guiados pela lógica da causa -> efeito), não veríamos sentido, mas sim uma perda de tempo e recursos – um completo fracasso em alcançar algum objetivo prático.

Mas o v. 9 nos diz qual é o objetivo geral da oferta queimada: prover um presente de aroma agradável ao Senhor.

“(…) holocausto (olah ) é, oferta queimada (isseh), de cheiro suave ao Senhor.” (v.9)

A palavra ’isseh tem sido comumente traduzida como “oferta queimada” pela suposta conexão com a palavra fogo no hebraico (‘es), mas seria melhor associada a um presente.’isseh, por exemplo, não é usada para se referir às ofertas de purificação, ainda que elas também sejam queimadas no altar. A ideia que ’isseh significa “presente” vem da sua conexão com uma palavra do Ugarítico (uma língua da mesma família de idiomas que o Hebraico), que significa presente (itt).

As ofertas voluntárias eram recebidas por Deus como uma “comida de presente” (Nm 28.2) na forma de fumaça, que funciona como incenso.

Podemos comparar e contrastar isso com o antigo épico babilônico Atrahasis, no qual os deuses sentem o cheiro de um sacrifício depois do dilúvio e se aproximam como moscas para consumí-lo, porque estavam famintos, como consequência da aniquilação da raça humana (não havia ninguém para oferecer comida para eles durante o dilúvio). Diferentemente desses deuses, Deus não precisa de comida humana (Salmos 50.9-13) – Deus recebe seu “presente de comida” na forma de fumaça, porque o importante é sua relação com o homem e não sua necessidade.

Embora o propósito da oferta não seja claramente declarado na Bíblia, pode-se considerá-lo como um símbolo de consagração completa e perpétua a Deus. Era uma autodedicação, que crescia do perdão e aceitação de Deus e estabelecia um relacionamento com o Altíssimo, conforme apontado por Ele.

Assim como Abraão demonstrou sua amizade ao oferecer uma refeição ao viajante com seus dois companheiros (Gen 18.7), os Israelitas demonstravam seu desejo de um bom relacionamento com Deus, oferecendo a Ele sacrifícios como presentes de comida, na esperança de receber a resposta graciosa da aceitação e a expiação, a remoção do mal.

A lição moral ensinada pela oferta queimada era exatamente a necessidade de autoentrega e devoção a Deus, mesmo até o ponto de entregar a própria vida. Já que o ofertante não poderia entregar sua própria vida e ainda assim viver, a vida do animal pertencente a ele, valiosa para ele, era substituída pela sua própria; mas ele sabia, e ao colocar a mão em sua cabeça mostrava que ele sabia, que era a sua própria vida e seu próprio eu que estava representado no animal sendo consumido.

  1. Aroma agradável?

Deus não simplesmente aceitava os sacrifícios – eles O agradavam. Isso não significa que Ele literalmente “curtia” o cheiro de animais queimando. O que agrada a Deus é a fé nEle, que esses sacrifícios expressavam (Hb 11.6).

O que importa não é se o ofertante pode se sentir “dono” da sua forma de adoração, mas sim se o Senhor se agrada dela.

  1. Expiação?

A oferta queimada era uma transação de mão dupla entre o ofertante e o Senhor. O benefício recebido como resultado do “presente-comida” oferecido ao Senhor era um presente infinitamente maior: a expiação. Mas o que é isso?

Originalmente, a palavra expiação (hb. kipper raiz כפר) é entendida com o significado de “reconciliação”. Mas kipper não descreve um processo completo de reconciliação. Kipper é um pré-requisito para o perdão concedido diretamente por Deus (4.20,26,31,35). Obviamente, é o perdão que completa a reconciliação. Kipper, na realidade significa remoção. Isso explica como o termo é usado em Lev 14.53 para a purificação de uma casa – faz sentido pensar em reconciliação entre uma casa e Deus?

A remoção do pecado é necessária para a reconciliação com Deus, porque o pecado é estranho a Ele e obstrui o relacionamento entre Deus e o homem. Deus é amor (1 Jo 4.8), mas pecado é egoísmo e os dois são incompatíveis. É como C.H. Spurgeon diz, não pode haver paz entre Deus e nós se houver paz entre nós e o pecado.

  1. Comprando o perdão?

Embora os sacrifícios custem aos ofertantes alguma coisa (2 Sm 24.24), eles nunca poderiam comprar expiação, porque Deus sempre foi o dono absoluto de tudo (Sl 50.10-13). Os sacrifícios eram somente símbolos que expressavam a fé no presente voluntário da expiação, concedido por Deus (Isa. 55.1). São como os presentes que eu dava ao meu pai no natal quando era criança – comprados com o dinheiro que ele mesmo me dava, pelo simples prazer de me permitir demonstrar o meu carinho por ele, mesmo não tendo meios próprios pra isso. O presente expressava uma resposta de amor ao amor que meus pais já haviam me concedido – meu presente não comprava o amor deles.

  1. Gado, rebanho e aves

Por que três subgrupos de sacrifícios voluntários? Deus não se relaciona somente com uma classe de pessoas, ou com aqueles que possuem mais do que outros. Ao prover diferentes tipos de ofertas como aceitáveis, Deus permite que pessoas de diferentes classes possam se engajar em um relacionamento pessoal com ele – desde o grande pastor que pode oferecer um boi sem defeito, até o homem pobre, que não possui nada além de uma pequena pomba.

  1. Imposição de mãos: pra quê?

A imposição da mão na cabeça do animal servia para identificar o proprietário da oferta, que estava transferindo a vítima a Deus e que receberia o benefício do sacrifício. Essa perspectiva é apoiada pelas palavras de Lv 1.4, o único lugar onde o texto interpreta o gesto: “Ele deve colocar sua mão na cabeça da oferta, e ela será aceita em seu lugar, para fazer expiação por si.” As palavras, que repetidamente se referem ao ofertante, indicam que a aceitação no lugar do indivíduo, em vez de alguma outra pessoa, dependiam do gesto de imposição de mãos. Mesmo se alguma outra pessoa houvesse guiado o animal até o templo, o gesto eliminava qualquer dúvida a respeito do dono/ofertante.

Esse interpretação cobre, inclusive, a imposição de mãos em ofertas que não eram para expiação (ofertas de paz, 3:2,8,13). Uma analogia moderna para isso seria a assinatura de um contrato. A assinatura sozinha não efetua a transferência, mas a legitima, identificando quem é aquele que tem o direito de vender o bem negociado.

  1. Sacrifício e o uso do sangue

Em um sacrifício Israelita, a vítima era morta para que seu corpo e sangue fosse utilizados. A morte do animal não envolvia contato com o altar santíssimo e dessa forma poderia ser feita pelo ofertante leigo (e.g. 1:5, 11; 3:2,8,13). Mas a manipulação do sangue e a colocação dos animais no fogo do altar, entretanto, sempre era realizada pelo sacerdote consagrado.

A presença ou ausência de sangue não é um critério válido para determinar se a oferta é um sacrifício ou não. Por exemplo, em 5:11-13, uma oferta de grãos era uma oferta de purificação que servia como um equivalente funcional de um sacrifício animal (por isso Hb 9.22 diz que quase todas as coisas se purificam com sangue, de acordo com a lei).

Aspergir o sangue contra os lados do altar (1:5,11) separava o sangue da carne do presente que era oferecido ao Senhor na forma de fumaça. Sua oferta, então, era uma oferta kosher, com o sangue drenado na hora da morte. Dessa forma, era mostrado o respeito pela vida, que está representada no sangue (17:11). Aqui também está um exemplo para os seres humanos, que nunca deveriam comer carne da qual o sangue não foi drenado na hora da morte.

Mas para tornar uma oferta queimada kosher era necessário somente drenar o sangue e despejá-lo na base do altar (4:7,18,25,30,34). Então por quê ele era aspergido nos lados do altar? Justamente porque aquele sangue servia a um propósito maior, a expiação para o ofertante (1:4) pela virtude da vida que era carregada pelo sangue (17:11). Nesse sentido, o sacrifício realizado por Israel é único em comparação a todos outros povos.

Lv 1 não especifica a natureza do pecado remediado por uma oferta voluntária, mas nós examinaremos o papel do sangue e o escopo da expiação conforme investigarmos outros tipos de sacrifício.

  1. Esfolei o bichinho: O couro do animal

O couro de uma oferta queimada era removido pelo esfolamento. Isso facilitava cortar o animal em pedaços. Além do mais, o couro não era queimado, mas entregue ao sacerdote oficiante (7:8), como o que seria chamado de “comissão do agente”. Como Jesus uma vez disse, “O trabalhador merece seu salário” (Lc 10.7, cf. 1 Tim 5:18).

  1. A significância da oferta queimada voluntária no NT

O “presente-comida” voluntário ofertado no altar Israelita era uma experiência espiritual poderosa que expressava transformação do relacionamento do ofertante com Deus no momento quando ela era oferecida. De acordo com o NT, as consequências de vida e morte graficamente representadas em tais rituais alcançaram completude no incrível sacrifício de Jesus Cristo, o presente de Deus para a humanidade, a quem João chamou de “o Cordeiro de Deus, que remove o pecado do mundo” (Jo 1:29). João poderia ter se referido a Jesus como o “Boi de Deus”, ou o “Bode de Deus”, mas por que ele escolhe o cordeiro? Porque Isaías havia profetizado que o Servo Sofredor seria como um cordeiro (Isa 53:7) e porque o sacrifício fundacional do sistema sacrifical Israelita era a oferta queimada regular, que consistia de um cordeiro de manhã e outro a tarde (Num 28:1-8). Todos outros sacrifício era realizados em adição a esses.

Vários fatores da oferta queimada paralela aspectos do sacrifício de Jesus:

I. Assim como os animais não podiam ter defeitos físicos (1:3, 22:17-25), assim também Cristo era perfeito moralmente.

II. Colocar a mão na vítima animal se correlaciona com o papel de Cristo que Isaías profetizou: “Certamente ele carregou nossas enfermidades e nossas doenças” (Isa 53:4). Cristo expia nosso pecado, levando nossa culpa sobre Ele morrendo em nosso lugar assim como a oferta oferecida.

III. Assim como a oferta queimada expiava por um ofertante (1:4), o NT afirma que o sangue do sacrifício de Jesus liberta os crentes dos seus pecados (1 Pe 1:18-19).

IV. A vida humana de Jesus foi totalmente consumida quando ele foi sacrificado na cruz (veja e.g. Hb 7:27 – “quando ele se ofereceu”, i.e., completamente).

V. A palavra hebraica traduzida para “oferta queimada” (’olah) literalmente significa “ascendendo”. Ela era queimada para cima, na forma de fumaça para Deus como se fosse um incenso, para ser aceita como um aroma agradável (1:9). Embora a presença de Deus estivesse no lugar santíssimo, a fumaça do altar conectava o céu e a terra. Semelhantemente, Jesus após sua morte, ascendeu aos céus (cf. Jz 13:20).

Mas aqui há algo impressionante: em Jo 20:17, Jesus diz a Maria Madalena que não o impeça, pois Ele não havia subido ao Pai ainda. Jesus aparece à Maria antes de ascender aos céus pela primeira vez. Ele interrompe sua ascensão para concluir sua oferta sacrificar, o evento mais importante da história humana, para confortar uma pecadora perdoada, mas entristecida. Como o perfeito bom samaritano, Jesus não deixa seu encontro com o destino impedi-lo de ajudar alguém em necessidade. Diferente do sacerdote e do levita, Jesus não estava indo participar de um “ritual sombra”, mas sim a realidade para a qual todas as sombras apontavam. Ainda assim isso não O impediu de se preocupar com os sentimentos de Maria!

Relevância Contemporânea

A importância dos rituais hoje em dia

Rituais podem fazer coisas além da capacidade das palavras. Como a linguagem, que se comunica através de símbolos, rituais têm um poder especial, porque seus significados são interpretados. É um com um filme que pinta dez mil palavras. Eles transcendem as barreiras entre o reino do visível e do invisível. Assim é também com a oração. A diferença é que a oração é comunicação e ritual é interação. Como o ritual, a oração é tola, irracional e uma perda de tempo para aqueles que não crêem.

Embora nossas relações espirituais com Deus sejam realizadas diretamente com Ele, rituais simbólicos como o batismo e a ceia do Senhor são importantes porque expressam nossas atitudes e interações com Ele. Reagindo a Jo 3:5, uma estudante declarou que ela não sentia a necessidade de se batizar porque essa cerimônia é simbólica, e tudo que é simbólico não é real – portanto, não importante. Isso parece lógico, mas que tal uma situação paralela: dois estudantes se amam e estão considerando o casamento. O jovem diz a sua noiva: “Eu te amo e quero passar minha vida com você. Mas quanto ao casamento – ele é só uma cerimônia. É simbólico e portanto irreal e não importante. Por que não o deixamos de lado?” Se ele não quer afirmar publicamente seu comprometimento, como ela se sentirá a respeito do seu amor por ela? O ritual é simbólico, mas é importante porque expressa uma mudança real no relacionamento que tem tremendas consequências, embora seja intangível.

Como diz Evan Amber-Black, professor de psiquiatria no Colégio de Medicina Albert Einstein, em NYC, “Rituais são as lentes pelas quais nós podemos ver nossas conexões emocionais aos membros da família e amigos queridos. Eles nos mostram quem nós somos um para os outros.”

Adoração aceitável a Deus

Alguns anos atrás um homem esvaziado de alguma forma cruzou a segurança que protegia a rainha Elizabeth II e conseguiu entrar em seus aposentos particulares. Mantendo a compostura, a rainha conversou com ele para que ele permanecesse calmo, mas somente até que seus guardas viessem e o arrastassem para fora. Essa não é a forma de conseguir uma audiência com um monarca!

Porque Deus é o Rei dos Reis, a parte infinitamente superior em qualquer interação, Ele controla os protocolos de interação com Ele. Diferente dos vegetais de Caim, ou do bezerro da festa de Israel, nossa adoração deve nos aproximar de Deus de acordo com os princípios dEle, para que Ele a aceite. Se nós insistirmos em fazer nossas próprias regras de adoração, a despeito dos princípios divinos, nós negamos o senhorio daquele que nós supomos estar adorando! Por contraste, se nos aproximarmos dele humildemente, assim como as criaturas angélicas fazem (Isa. 6:1-4), nós reconhecemos que Ele é o Mestre do Universo.

Os princípios divinos de adoração permitem uma tremenda variedade, incluindo a diversidade cultural. O “barulho alegre” do salmista (e.g. Sl 95:1-2; 98:4-6; Sl 150) é tão legítimo quanto o silêncio de Habacuque (Hab 2:20). Entretanto, usurpar as prerrogativas divinas, falhando em exaltar Deus como o centro supremo de nossa adoração, ou mal representá-lo ao violar as instruções para a prática religiosa que Ele especificou constitui um sério problema.

Por exemplo, depois da vitória de Gideão, ele fez um éfode de ouro, que era uma roupa usada pelos sacerdotes (Jz 8:27; cf. Ex 28:6-14). Não demorou muito tempo até que o instrumento não autorizado de adoração se tornasse um objeto de adoração, um ídolo. O meio superou a mensagem. Uma vez que as pessoas estavam mais focadas no instrumento do que em Deus, eles perderam Ele de vista, e assim foi fácil de trocar de deus e adorar a Baal (Jz 8:33-34).

O que acontece quando a construção da igreja, as liturgias, a música e os músicos, os sermões e os ministros se tornam o foco da atenção? Tudo isso pode ser maravilhosamente legítimo em si mesmo, testemunhando da qualidade do que está sendo honrado. De fato, Deus Ele mesmo fundou a fina estética. De acordo com Êxodo, foi Ele que mandou os Israelitas fazerem lindas vestimentas sacerdotais e um tabernáculo magnífico para cerimônias impressionantes.

Será que nossa adoração se tornou, em algum sentido, uma festa, um show, uma parada ou uma charada? Será que estamos mais preocupados com o marketing do que é exterior, da mesma forma que um fabricante de sabão uma vez afirmou, “Como não pudemos melhorar nosso produto, melhoramos a caixa.” Estamos dando a oportunidade para que um novo crente se apaixone com Deus, ou ele está se apaixonando pela nossa liturgia, ou pelo carisma do pastor?

Verdadeira adoração é como o ministério de João Batista, “Ele precisa crescer, e eu diminuir” (Jo 3:30). Em termos práticos, os desafios que se apresentar para um líder de adoração hoje são estarrecedores. O mesmo estilo de adoração que leva um grupo aos portões de pérola, leva outro para as regiões da escuridão. Pequenos elementos se tornam campos de batalha. Gostos pessoais são elevados ao status de princípios eternos (e isso serve tanto para os “conservadores” quanto para os “liberais”). – com certeza Deus só aceita o que eu aceito! Como poderia ser diferente?

Aqui está um chamado para cooperação, comunicação, abnegação e, sobre tudo, sensibilidade às necessidades dos outros. Mesmo quando erros são cometidos, se as pessoas souberem que são parte de uma curva de aprendizado, o resultado pode ser amigável e produtivo.

Sacrifício completo pelos outros

Em Fp 2:3-8 Paulo mostra que há mais do que gratidão, purificação moral e alegria quando recebemos o sacrifício completo de Jesus. Somos chamados para imitar a Cristo no sentido de sacrificar nossos desejos a Deus, para o bem de outros. Não quer dizer que estejamos pagando o preço da salvação deles em qualquer sentido, mas sim que nossas vidas estão completamente dedicadas ao serviço de redenção. É por isso que Paulo pode se referir a si mesmo como derramado da mesma forma que o sacrifício da oferta de bebida.

Completo comprometimento ao serviço para os outros é a marca do verdadeiro Cristianismo. Há muitos exemplos inspiradores de pessoas que voluntariamente entregaram todos seus recursos, energias, confortos e mesmo suas vidas para tocar as pessoas necessitadas com sua compaixão.

Lough Fook, por exemplo, um cristão chinês, sentiu compaixão pelos seus conterrâneos que se tornaram escravos nas minas africanas. Ele queria que eles conhecessem a esperança do evangelho, mas como ele poderia ganhar acesso a eles? Sua solução foi se vender como um escravo por um período de cinco anos. Ele foi transportado para Demerara, onde ele trabalhou nas minas. Enquanto ele trabalhava, ele contava aos seus cooperadores sobre o Senhor. Antes de morrer, duzentos deles foram libertos do desespero, aceitando Jesus como Salvador. Ao fazer o impensável, humildemente aceitando o papel de escravo como Jesus fez (Fp 2.7), ele alcançou os inalcançáveis.

Embora sacrifícios voluntários contribuam muito para esse mundo sofredor, nada se compara ao que Jesus fez. David Livingstone refletiu sobre isso em seu trabalho pioneiro na África: “Eu nunca fiz um sacrifício. Nós não devemos falar sobre ‘sacrifício’ quando lembramos do grande sacrifício que aquele que deixou o trono do Pai fez, para se entregar a nós.”

Bibliografia

Spence-Jones, H. D. M. (Org.). (1910). Leviticus (p. 2-6). London; New York: Funk & Wagnalls Company.

Freeman, J. M., & Chadwick, H. J. (1998). Manners & customs of the Bible (p. 145). North Brunswick, NJ: Bridge-Logos Publishers.

Gane, R. (2004). The NIV Application Commentary. Zondervan.


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