Sou todo ouvidos #sqn

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Uma pesquisa realizada por um conselheiro de casais com mais de 30 anos de experiência, relata que 80% dos casais divorciados apontaram como um dos motivos a falta de comunicação.

Não é de se espantar, já que o falar e ouvir é um dos fundamentos básicos de um casamento – é o veículo que permite que os casais processem a vida juntos.

Entretanto, ao longo do casamento, ou até mesmo do namoro, a comunicação ofensiva, o tédio, o foco no trabalho ou nos filhos, muitas vezes leva os casais a terem uma vida de comunicação como dois completos desconhecidos. E isso geralmente trás um “inverno” frio e rigoroso para a vida a dois.

A habilidade de se comunicar com o outro de forma eficaz e sem se irritar é uma arte. Como toda arte, o aprendizado é lento e precisa de prática. Mas a verdadeira comunicação envolve mais do que técnicas e só ocorre quando existe o desejo genuíno de respeitar, aceitar, compreender e dar atenção aos outros. As técnicas são importantes, mas são de pouca importância se a boa vontade e a sinceridade não estiverem presentes.

Nós podemos considerar uma comunicação saudável em um relacionamento quando três coisas acontecem:

  1. Quando ambos se sentem ouvidos e conseguem expressar seus desejos e sentimentos sem ofensas mútuas;
  2. Quando podem resolver seus conflitos através de uma conversa construtiva;
  3. Quando gastam tempo diariamente conversando de maneira profunda.

Avaliando a qualidade da comunicação

Vamos começar avaliando a qualidade percebida da comunicação do casal.

Abaixo estão 10 afirmações. Cada um deve responder com um número de 1 a 5, sendo 1 – discordo muito, 2 – discordo um pouco, 3 – não concordo nem discordo, 4 – concordo um pouco e 5 – concordo muito.

  1. (-) Meu parceiro frequentemente não entende como eu me sinto.
  2. (-) Quando temos um problema, meu parceiro se recusa a falar sobre o assunto.
  3. (-) Às vezes é difícil pedir ao meu parceiro o que eu quero.
  4. (-) Eu gostaria que meu parceiro tivesse mais disposição para compartilhar seus sentimentos comigo.
  5. (+) Meu parceiro é um ótimo ouvinte.
  6. (-) O meu parceiro por vezes faz comentários que me deprimem.
  7. (-) Às vezes tenho dificuldade de acreditar no que meu parceiro diz.
  8. (+) Estou muito satisfeito em como nós conversamos.
  9. (+) Eu posso expressar meus verdadeiros sentimentos ao meu parceiro.
  10. (-) Tem sido difícil para mim, compartilhar os sentimento negativos do meu parceiro.

Para chegar ao diagnóstico, nós vamos somar as pontuações individuais e calcular a pontuação de Acordo Positivo do Casal.

Pontuação de Acordo Positivo do Casal

O Acordo Positivo do Casal é uma forma de considerar as respostas dos dois para se chegar a um veredicto. A ideia é simples: se você está satisfeito com um determinado aspecto e ela não, então esse aspecto não é considerado um ponto de satisfação para o casal. Para calcular o APC, que indica o quanto o casal está satisfeito com a comunicação, você deverá:

  1. Comparar as pontuações finais de cada afirmação;
  2. Marcar 1 ponto para cada pontuação final que você e seu parceiro pontuaram 4 ou 5.
  3. Somar

A avaliação, embora superficial, dá uma boa noção da qualidade da comunicação no seu relacionamento. Se o APC do seu relacionamento estiver acima de 70, a comunicação é uma área forte no seu relacionamento (o que não significa que não exista aspectos a serem melhorados). Se estiver abaixo de 50, seu relacionamento corre um risco sério de sofrer danos por causa dos problemas em comunicação.

Como aprimorar a comunicação no seu relacionamento

John Powell, em seu livro “Por que Tenho Medo de Dizer-lhe Quem Eu Sou”, descreve 5 níveis nos quais podemos nos comunicar.

  1. Nível Trivial – a conversa aqui é superficial, do tipo “Como estão as coisas?”, “Bem”. Essa conversa beira a insignificância, mas pode ser melhor que o silêncio embaraçoso.
  2. Nível Afetivo – aqui existe troca de informações, que não são seguidas de comentários. Você conta o que aconteceu, mas não diz como você se sentiu ou o que acha daquilo.
  3. Nível Opinativo – aqui começa a intimidade, pois você começa a arriscar expressar o que você pensa a respeito das coisas.
  4. Nível Sentimental – a conversa nesse nível descreve o que está acontecendo dentro de você. A intimidade e segurança lhe permite que você diga não só o que aconteceu e o que pensa sobre aquilo, mas como você se sente em relação a determinada coisa.
  5. Nível da Empatia – a conversa acontece nesse nível quando o casal está profundamente comprometido em compreender e sentir o que o outro sente. A conversação aqui poderia ser muito bem descrita pelas palavras de Paulo “Se um sofrer, todos sofrem, e se um for honrado, todos se alegram” (I Co 12:26).

O objetivo de qualquer técnica de conversação entre casais é tornar mais frequente as conversas dos níveis 1-3, essenciais para que tenhamos uma comunicação saudável. Para isso, é necessário substituir nossos padrões de comunicação destrutivos por padrões de comunicação positivos.

A essência da comunicação saudável é a empatia. Empatia significa entrar no mundo do outro, procurar se colocar no lugar da outra pessoa e enxerga o mundo com os óculos que ela usa. Infelizmente temos a tendência natural de ouvir de modo crítico e julgar a situação com base somente na nossa visão das coisas.

Ouvir com empatia encoraja as pessoas a conversarem, por que quando isso acontece, elas sabem que serão ouvidas.

Seu parceiro (a) sabe que será ouvido(a) quando ele tem algo a te dizer?

”(…) nunca se esqueçam de que cada um deve estar pronto para ouvir, mas demorar para falar e ficar irritado.” – Tiago 1:19

A pergunta de 1 milhão de dólares é: como eu faço isso?

Lembre-se que no começo dizemos que a comunicação é uma arte e precisará de muita prática!

Nós começamos colocando alguns princípios em prática:

1.Tenha uma atitude genuína de compreensão

Por natureza somos egocêntricos. O mundo gira em torno do meu eu. A maturidade no relacionamento consiste na capacidade de se envolver sinceramente com o desejo de entender o outro, participar das alegrias e tristezas dele. Muitas vezes somos defensivos porque somos egoístas, interpretamos os sentimentos do outro como ofensivos, sem nos preocupar com o que o outro está sentindo.

A Bíblia diz que “O insensato não tem prazer no entendimento, senão em externar seu interior” (Pv 18.2). Nossa oração precisa ser como a de Francisco de Assis, “Ó Divino Mestre, concede-me a graça de não buscar tanto … ser compreendido quanto compreender”.

Além disso, ter o desejo sincero de compreender também se traduz em separar tempo de qualidade para fazer isso. Significa não conversar enquanto mexo no celular ou assisto o jornal. Significa separar um tempo apropriado para conversar.

Quantas vezes você perguntou ao seu parceiro: o que posso fazer para ser um marido/ esposa melhor?

2. Guarde seus julgamentos sobre as ideias do seu parceiro(a)

Você ouve para julgar ou para compreender? A maioria das vezes que achamos estar ouvindo, estamos só recarregando nossas armas. Enquanto o outro fala estamos pensando no que responder, em vez de refletir no que está sendo dito para compreender.

Se você ouvir sua esposa com a intenção de “corrigi-la”, você nunca irá entendê-la, a maioria das conversas terminará em discussão e vocês acabarão como inimigos em vez de amigos.

Considere o seguinte exemplo:

Marido: Acho que preciso parar de trabalhar.

Esposa: Você não pode parar. Não podemos ficar sem seu salário. E lembre-se que foi você que quis financiar essa casa grande.

Nesse caso, o campo de batalha está montado. O homem se sentirá mal compreendido e levantará a defensiva. Mas tudo poderia ser diferente, se ela dissesse:

Esposa: Parece que você teve um dia ruim no trabalho. Quer falar sobre isso?

Ela, agora, abriu o caminho para que o marido seja entendido e a intimidade seja aprofundada.

3.Aceite seu cônjuge mesmo quando você não concorda com suas ideias

Você faz isso aprendendo a praticar a afirmação. Você poderia dizer, por exemplo,

“Aprecio por você compartilhar suas ideias e sentimentos comigo. Agora entendo porque você se sente assim e tenho certeza que se estivesse no seu lugar pensaria da mesma forma. E aprecio você por ser franco comigo. É claro que isso tudo me afeta, e tem muita coisa na minha cabeça, mas estou disposto a compartilhar com você quando estiver disposta a me ouvir.”

E isso leva ao 4º princípio:

4.Compartilhe suas ideias e sentimentos somente quando o outro sentir-se compreendido

 Na pior das hipóteses isso é muito egocêntrico.

Cultivar empatia consiste também em garantir que o outro se sente compreendido antes de você pedir que ele te escute. O erro mais comum das conversas conjugais é a ação de expressar de forma precipitada as ideias. Pergunte se o outro já terminou de falar e se sente compreendido, antes de dizer o que você pensa.

Colocando em prática – A Lista dos Desejos

Vamos colocar esses princípios em prática com um exercício, que pode ser praticado muitas vezes pelo casal, sempre que achar necessário.

Cada um de vocês escreverá uma lista de desejos. Pense em três coisas que você gostaria muito que mudassem no seu relacionamento, algo você gostaria que o outro fizesse ou deixasse de fazer. Comece com “Eu gostaria que…”.

  • Se for um item negativo, explique que como você se sente quando aquilo acontece e como você se sentiria se não acontecesse.
  • Se for positivo, explique como você se sentiria se aquilo acontecesse.

Agora, em turnos, compartilhem suas listas um com o outro. Lembrando de seguir as regras abaixo:

  • Compartilhe seu primeiro item da lista.
  • O ouvinte não deve falar nada até que quem está falando termine.
  • Quanto terminar, o ouvinte deve perguntar “Terminou?”. Se a resposta for sim, ele deve repetir resumidamente o que foi dito (ações e sentimentos).
  • Após o ouvinte repetir, a pessoa que falou deve confirmar se ele compreendeu o que ela queria dizer. Diga algo como “É isso mesmo”.
  • O ouvinte termina dizendo, “Me comprometo a pensar sobre a importância disso para você”.

Enquanto fazem isso, você precisam:

  • Olhar nos olhos um do outro;
  • Não faça mais nada enquanto ouve. Demonstre atenção completa, como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo;
  • Preste atenção aos fatos e sentimentos que estão sendo expressos;
  • Use sempre o EU em vez de VOCÊ. Ex: “Eu me senti ignorado quando você chegou atrasado para nosso jantar” em vez de “Você me ignorou aquela noite – não sou importante para você!”
  • Seja cortês ( use palavras como “obrigado”, “por favor” e “me perdoe”)
  • Se preocupe com seu tom de voz – ela diz mais do que suas palavras. A ternura é o azeite do céu.
  • Seja específico e claro ao expressar o que deseja.
  • Evite críticas e censuras.

No dia-a-dia, pode-se praticar a comunicação também compartilhando pensamentos e sentimentos sobre as perguntas abaixo. Você pode usá-las para praticar os princípios sugeridos.

Pontapés iniciais para conversas entre casais

  1. Conte duas coisas que aconteceram hoje e como você se sentiu sobre elas.
  2. Quais eram seus brinquedos favoritos quando você era criança? Qual era seu doce favorito?
  3. Descreva a casa de um (ou ambos) dos seus avôs e como você se sentia quando estava lá.
  4. Descreva seus professores prediletos no ensino fundamental, ensino médio e faculdade.
  5. Qual foi o machucado mais grave que você sofreu quando criança ou adolescente? Como aconteceu?
  6. Qual foi o pior filme que você já assistiu?
  7. Qual era seu desenho animado favorito? Por quê?
  8. Como seria a casa dos seus sonhos?
  9. Se você pudesse ganhar qualquer competição no mundo, qual seria?
  10. Você se lembra de algum primeiro encontro no qual você soube de cara que não haveria um segundo encontro?

Leituras recomendadas, utilizadas como referência para esse artigo:

Chapman, Gary. “As Quatro Estações do Casamento”, Mundo Cristão: 2013.

Pelt, Nancy. “Felizes no Amor”, CPB: 2012.

Chapman, Gary. “O que não me contaram sobre o casamento, mas você deveria saber”, Mundo Cristão: 2013.

Programa de Enriquecimento de Casais PREPARE & ENRICH – http://www.prepare-enrich.com

Esse texto foi a base para a sessão da oficina de casais Nuvem, na reunião de Março. A oficina acontece todo segundo domingo do mês, às 16h no Espaço Novo Tempo Vila Guarani, na Rua Leonardo Da Vinci, 983 – próximo ao metrô conceição.


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