Pensar e Fazer

A Bíblia encoraja as pessoas a usarem suas mentes na busca pela verdade (cf. At 17.11) e a pensar a fim de interpretá-la apropriadamente (cf 2 Tm 2.15. Se queremos obedecer o Senhor de maneira radical, não é suficiente ler e fazer. Precisamos ler, pensar e fazer.

Um estudante de teologia muito piedoso simplesmente lia e fazia. Ele sempre usava roupas brancas porque Eclesiastes 9.8 diz “Que suas vestimentas sejam sempre brancas”. Ele interpretava o texto literalmente como um regulamento. Certamente não há nada de errado em usar só roupas brancas, mas nesse contexto bíblico, roupas brancas representam uma expressão de alegria (cf. 9.7). O mesmo é verdade para as seguintes palavras – “não deixa que falte óleo em sua cabeça” (9.8b) – as quais o estudante inconsistentemente negligenciava. A alegria é o foco aqui, não a cor literal ou o óleo que o sábio de Eclesiastes usou como exemplos.

Obediência automática, que causa um curto-circuito no uso do raciocínio e da interpretação, é frequentemente inofensivo, como no caso descrito. Entretanto, em outras situações esse tipo de postura pode ter efeitos desastrosos. Para citar um caso extremo, o que aconteceria se um cristão casado aceitasse literalmente o dever de um antigo cunhado Israelita, expresso na lei do levirato, sem reconhecer que uma mudança cultural requer uma aplicação diferente de um princípio?

Embora pensar e interpretar o que lemos seja importante, se tudo que fizermos for isso, sem nunca chegar à fase da obediência, também teremos um problema. Thomas à Kempis reconheceu isso:

“Abençoada é aquela simplicidade que rejeita a investigação obscura e avança através da certa e aberta estrada dos mandamentos de Deus. Muitos perderam sua devoção por tentar bisbilhotar nas questões que são muito elevadas para eles. A fé e uma vida santa é o que é requerido de você, e não um intelecto majestoso ou conhecimento dos mistérios profundos de Deus. Pois se você não pode compreender o que está abaixo de você, como compreenderia as que estão acima? Portanto, sujeite-se a Deus, e humilhe sua razão à fé, e a luz do conhecimento será concedida a você conforme for benéfica e necessária”. – The Imitation of Christ, 1993, p. 216

Note que o que devemos rejeitar não é a investigação em si, mas a “investigação obscura … por tentar bisbilhotar nas questões que são muito elevadas para eles.” Não há nada de errado com “um intelecto majestoso ou o conhecimento profundo dos mistérios de Deus”. De fato, diversos escritores bíblicos, como Moisés, Isaías, Daniel e Paulo esbanjavam dessas características e as usaram como uma vantagem tremenda para o reino de Deus. Entretanto, como o escritor de Eclesiastes descobriu, o intelecto e o conhecimento não tem valor algum se não estiverem acompanhados pela fé simples que é vivida em obediência à lei de amor de Deus (cf. 1 Co 13.2).

Então como sabemos quando parar de pensar? Moisés disse: “As coisas secretas pertencem a Deus, mas as reveladas pertencem a nós e nossos filhos para sempre, para que sigamos as palavras dessa lei” (Dt 29.29). Investigar as coisas que estão reveladas é benéfico. tentar ir além delas é especulação vã que causa controvérsias inúteis e nos distrai do que é crucial (cf. 1 Tm 1.3-8; Tt 3.9-11).

Gane, R. (2004). The NIV Application Commentary. NY: Zondervan.


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