Reconquistando a Visão do Adventismo – Não Há Credo

A verdadeira essência do Adventismo não é dar permissões, mas sim munir e empoderar.

Nos últimos anos, a opinião popular alterou dramaticamente a forma das pessoas pensarem sobre política, direitos individuais, liberdade religiosa e a vida familiar. O diálogo hipercrítico substituiu intercâmbio equilibrado em todos os lugares. O mundo está no limite por haver cada vezes menos tolerância pelas diferenças ideológicas. Ou você é liberal ou conservador, de direita ou de esquerda, pacifista ou terrorista. Parece haver pouco terreno intermediário – que é reservado para os tímidos, os dóceis, ou mornos. Na arena política, a habilidade de um político a fazer concessões, já vista como um padrão de ouro para um governo bem sucedido, agora é algo desprezível.

Nós subitamente nos movemos de um período onde o mundo estava preenchido por uma gama impressionante de ideias, texturas e opiniões, para uma paisagem desoladora onde alguns insistem que deve ser vista somente em preto e branco. O pensamento contemporâneo foi tão envenenado pela intolerância ideológica e a rigidez fundamental que o diálogo civil se tornou difícil e tenso.

A Experiência Adventista

Nos dias formativos do movimento adventista, o mundo Evangélico via os primeiros adventistas como um bando descontente de causadores de problemas . As igrejas tradicionais da linha principal os expulsaram (se eles já não tivessem saído) porque eles foram além dos limites da crença religiosa aceitável e abraçaram um entendimento mais fluido da teologia que foi chamado de “Verdade Presente”. Os adventistas criam que aquela verdade era progressiva e que Deus continuaria a se revelar com a passagem do tempo. As crenças únicas do adventismo foram forjadas na convicção de que Deus estava ativo no presente e continuaria a revelar sua vontade para cada geração que os sucedessem.

Conforme a comunidade adventista crescia em números e novas igrejas iam sendo organizadas, tornou-se óbvia a necessidade de determinar o que os Adventistas realmente criam – o que trouxe à questão se o movimento deveria estabelecer um credo. Um credo é definido como “uma declaração formulada, autoritária, dos artigos principais da crença Cristã, como o Credo dos apóstolos, o Credo Niceno, ou o Credo Atanasiano” (Dictionary. com).

Então, a pergunta era, quão definitivos deveriam ser os adventistas em suas crenças doutrinárias? Essa questão foi levantada em uma reunião anual da Associação Publicadoras dos Adventistas do Sétimo dia, que ocorreu em Battle Creek, Michigan, em 5 de outubro de 1861. (Arthur White, Ellen White: Woman of Vision, p. 81)

 

“A primeira questão apresentada foi a organização das igrejas. O irmão Loughborough disse: ‘Eu considero apropriado e necessário levar em conta a organização das igrejas, já que esse assunto foi agitado entre nós, especialmente pelos últimos seis meses. E, a fim de trazer a questão perante a reunião, eu voto que consideremos a maneira apropriada de organizar as igrejas.’ Seguido pelo Irmão White. Aprovado. O irmão White então apresentou a seguinte resolução: “Resolvido, que essa conferência recomenda a seguinte aliança eclesiástica: Pelo presente, nós, os abaixo assinados,  associamo-nos como uma igreja, levando o nome de Adventistas do Sétimo Dia, comprometidos a guardar os mandamentos de Deus e a fé de Jesus Cristo. Seguido pelo irmão Hull. Adotado.” (Ibid., 8 de Outubro, 1861, citado em Ellen G. White: The Early Years: 1827-1862, p. 452).

O voto não foi unânime, o que abriu espaço para discussão posterior. James White declarou que ele não queria adotar tal resolução sem discussões. O que eles estavam discutindo era se os Adventistas deveriam ou não criar uma declaração de crenças. “Deveríamos nós ser identificados como crentes Cristãos que guardam os mandamentos de Deus, e tem a fé de Jesus?” Tal declaração sucinta provia muito espaço para crescimento e desenvolvimento pessoal, mas não era sem controvérsia.

Alguns imaginavam se isso não levaria os Adventistas mais perto do estabelecimento de um credo. James White respondeu, declarando que ele concordava que votar o estabelecimento mesmo de uma  definição de fé mais solta poderia prover a aparência de que eles estavam imitando as outras igrejas da cristandade (as quais ele se referia como Babilônia).

N. Loughborough declarou que eles já haviam começado a imitá-las ao construir casas de reunião (igrejas) e se referiu a um artigo que ele havia escrito no Review, onde ele dizia, “O primeiro passo da apostasia é erguer um credo, dizendo-nos em que devemos acreditar. O segundo passo é tornar aquele credo um teste de discipulado. O terceiro é provar os membros por aquele credo. O quarto é denunciar como hereges aqueles que não creem naquele credo. E o quinto, começar a perseguir tais pessoas. (Ibid., p. 453).

James White falou em seguida, e disse, “Sobre o assunto de credos, eu concordo com o irmão Loughbourugh. Eu nunca pesei os pontos que ele apresentou, como eu tenho feito desde que comecei a examinar a questão por mim mesmo. Em Efésios 4:11-13 nós lemos, ‘E ele designou alguns para apóstolos, e outros para profetas, et cetera. Aqui nós temos os dons da igreja apresentados” (ibid.). “Agora eu considero que credos estão em direta oposição aos dons. Suponhamos um caso: nós levantamos um credo, declarando o que devemos crer em um ponto ou outro, e o que devemos fazer em referência a essa coisa e aquela, e dizemos também que nós cremos nos dons” (Ibid., p. 454).

White continuou, “Mas suponha que o Senhor, através dos dons, nos dê alguma nova luz que não harmonize com nosso credo; então, se permanecermos verdadeiros aos dons, derrubaremos nosso credo de uma vez só. Levantar um credo é estabelecer raízes e barrar o caminho para todo o avanço futuro. Deus colocou os dons na igreja para um bom e maior objetivo; mas homens que ergueram suas igrejas, fecharam o caminho ou marcaram um curso de ação para o Todo-Poderoso. Eles dizem virtualmente que o Senhor não pode fazer nada além daquilo que foi marcado no credo.” (Ibid.).

“Um credo e os dons, assim, estão em direta oposição um ao outro,” White continuou. “Agora, qual é nossa posição como um povo? A Bíblia é nosso credo. Nós rejeitamos qualquer coisa na forma de um credo humano. Nós tomamos a Bíblia e os dons do Espírito; abraçando a fé que assim o Senhor nos ensinará de tempo em tempo. E assim tomamos a posição contra a formação de um credo. Nós não estamos dando um passo, naquilo que fazemos, em direção de nos tornarmos Babilônia” (Ibid.).

Mas a declaração de crença na qual eles concordaram era ampla o suficiente para permitir os espaço para a consciência pessoal e o crescimento espiritual individual. “Antes de a reunião acabar, eles adotaram a aliança pela qual os membros fariam parte da igreja:Pelo presente, nós, os abaixo assinados,  associamo-nos como uma igreja, levando o nome de Adventistas do Sétimo Dia, comprometidos a guardar os mandamentos de Deus e a fé de Jesus Cristo… A questão foi votada, e aprovada unanimamente.” (Ibid., p. 454).

O que foi levantado foi uma declaração simples de crenças que deliberadamente evitada ser muito prescritiva ou detalhada. Eles entendiam que quanto mais prescritiva uma igreja é, maior o perigo de seus membros não tomarem responsabilidade pelo seu próprio crescimento espiritual.

Hoje, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, precisa de uma declaração de crença que defina quem ela é. Em sua melhor forma, o Adventismo não diz ao seus aderentes o que eles precisam crer, mas provê as ferramentas e habilidades precisas para chegar a uma compreensão da verdade por si mesmos.

Historicamente, nossa igreja tem tido uma evolução progressiva da verdade, que consistentemente nos proveu com novas revelações de Deus a respeito do seu caráter e as verdades que Ele quer que nós conheçamos e compartilhemos. O que começou como duas crenças fundamentais, agora cresceu para 28, o que alguns temem que sejam muitas. Mas deve ser notado que nossas crenças não constituem um credo, embora às vezes alguns possam sentir que sim. No espírito de nossos fundadores nós continuamos resistindo à ideia de soletrar em detalhes exatamente o que alguém deve crer para ser um adventista. Em vez disso, nós olhamos para nossas crenças fundamentais como temas abrangentes ou verdades bíblicas que descrevem o caráter de Deus.

Há vozes dentro do movimento adventista hoje que querem nos mover para longe da nossa visão histórica do conhecimento bíblico, a “Verdade Presente”, para uma visão mais ortodoxa, dogmática, que olha para a igreja mãe a fim de definir e estabelecer as doutrinas. Isso é movido, indubitavelmente, pelo medo de que se a igreja não estabelecer um credo real, questões como casamentos homossexuais, pós-modernismo e outras questões complexas dos nossos dias  iram corromper e acabar com nossas crenças. Enquanto possa haver algum mérito nisso, o outro lado é muito perigoso. Como Cristãos Protestantes, nós não queremos dar mais autoridade para a igreja institucional do que a Bíblia fundamenta. Afinal, nós cremos no sacerdócio de todos o santos.

Leia a continuação, clicando aqui.

Esse texto é uma tradução livre do artigo original que foi escrito pelo pastor Richard DuBose, no Norte da Califórnia, e publicado no site Adventism Today. Ele pode ser lido clicando aqui.

 


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