A Identidade Teológica do Remanescente

Texto traduzido de um artigo publicado no site http://www.lightbearers.org, em 27/05/2016, escrito por Ty Gibson.

Quando o “remanescente” aparece em cena, em Apocalipse, nossa atenção é direcionada à intenção de Deus de que o movimento seja definido por um construto teológico específico:

“E o dragão se irou com a mulher, e foi fazer guerra com o remanescente de sua descendência, aqueles que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17, KJV).

“Aqui está a paciência dos santos: aqui está os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (Apocalipse 14:12, KJV).

O “e” aqui descreve não tanto uma relação de equilíbrio entre fé e obediência, mas sim uma relação dinâmica poderosa entre as duas coisas. O ponto do evangelho não é fé e obras, mas sim fé que obra. As boas novas não dizem que Deus o salvará se você obedecer Sua lei, mas sim que o dom gratuito da salvação é, em si mesmo, transformador, de forma que cria no crente uma corrente de amor de volta para Deus, o doador, e esse amor se manifesta na obediência. Bem aqui, de acordo com Apocalipse, está a ideia chave a ser entendida a respeito da identidade teológica do remanescente.

…não tanto uma relação de equilíbrio entre fé e obediência, mas sim uma relação dinâmica poderosa entre as duas coisas.

Na história adventista, a relação correta entre a lei e o evangelho foi trazida ao palco em 1888, quando A. T. Jones e E. J. Waggoner, apoiados por Ellen White, pregaram com clareza que em Gálatas Paulos está falando “especialmente sobre a lei moral” (Ellen White, Selected Messages, vol. 1, p. 234). Isso era escandalizador aos ouvidos dos pregadores adventistas pelo fato de que eles haviam sido treinados, por líderes importantes, para argumentar contra os antinomianos, tentando provar que a lei em Gálatas era a lei cerimonial – o que dava espaço para o gancho de esquerda evangelístico, “Portanto, vocês ainda devem obedecer os Dez Mandamentos!”

E ainda assim, mesmo enquanto pregávamos a lei com vigor evangelístico, era precisamente nosso fracasso em ensinar a lei conforme a Bíblia realmente a ensina que levou Ellen White a apontar para o fato doloroso de que, como um povo, nós havíamos ganhado uma reputação trágica: “Os adventistas do sétimo dia falamo sobre a lei, a lei, mas não ensinam ou creem em Cristo” (Ellen White, Testimonies to Ministers, p. 92). De novo e de novo ela advertiu que nós – “o povo guardador dos mandamentos de Deus” – estávamos manuseando de forma errada os mandamentos dEle. Em um certo ponto, ela ficou tão cansada de ouvir nossos pregadores atacando os outros, em defesa da lei de Deus, que ela disse isso:

“Deixe a lei cuidar de si mesma. Nós temos falado sobre a lei até ficarmos secos como as colinas do Gilboa, sem orvalho ou chuva. Confiemos nos méritos de Jesus Cristo de Nazaré” (Ellen White, Sermons and Talks, vol. 1 p. 137).

Nós vemos aqui que ela não estava meramente cansada de ouvir muitos sermões sobre a lei. A questão não era simplesmente que nós estávamos falando muito sobre a lei, mas sim que nós estávamos pregando a lei sob uma luz errada e assim criando um sério problema teológico para nós mesmos. Nós estávamos pregando a lei de uma forma que comprometia o evangelho e nos fazia perder de vista “os méritos de Jesus”.

Mas,  uma vez que nós sigamos a liderança da profetiza de Deus ao remanescente, permitindo-nos ver que a lei de Gálatas é “especialmente” os Dez Mandamentos, nossa missão teológica como remanescente começa ficar realmente clara. Em sua carta aos Gálatas, Paulo articulou a relação dinâmica da lei e do evangelho com uma beleza crucial que, uma vez que entendamos, nossa visão teológica inteira irá mudar e o Adventismo começará a fazer sentido de forma que antes não era possível.

Veja como Paulo segue seu raciocínio:

“Sabendo que um homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé de Jesus Cristo, mesmo nós temos crido em Jesus Cristo, para que sejamos justificado por sua fé, e não pelas obras da lei: pois pelas obras da lei, ninguém será justificado.”

(Gálatas 2:16)

“Pois, se a herança é da lei, ela não mais é da promessa; mas Deus a deu a Abraão pela promessa. Qual o propósito da lei, então? Ela foi concedida por causa das transgressões, até que a Semente viesse a quem a promessa fora feita… A lei é contra as promessas de Deus, então? Não, e não! Pois se houvesse uma lei pela qual a vida pudesse ser dada, a justiça certamente viria pela lei. Mas a Bíblia confinou todos debaixo do pecado, para que a promessa , pela fé em Jesus Cristo, possa ser dada àqueles que creem. Mas antes que a fé viesse, nós fomos mantidos debaixo da lei, guardados para a fé que seria revelada posteriormente. Portanto a lei foi nosso tutor para nos trazer à Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Mas depois que a fé veio, nós não mais estamos sob a guarda do tutor.”

(Galatians 3:18-25)

Até hoje os adventistas geralmente não pregam essas passagens para nosso próprio povo,  e certamente também não o fazem no evangelismo,  exceto em alguns esforços que ainda são feitos para “provar” que Paulo devia estar falando sobre a lei cerimonial. O fato de que nós raramente sabemos o que fazer com a lei como explicada em Gálatas,  muito menos pregá-la com clareza e poder,  é uma manifestação gritante de nossa situação recorrente como Laodiceia – nudez, pobreza e cegueira (Apocalipse 3).

Em Gálatas Paulo não está dizendo algo periférico ou de menor importância sobre os Dez Mandamentos.  Ao contrário,  ele está ensinando a verdade definitiva,  precisa,  e vital sobre a lei – verdade que precisa permeabilizar toda nossa pregação se queremos realmente assumir nossa identidade como remanescente.

Aqueles que “guardam os mandamentos de Deus”  não podem ser quem foram chamados para ser enquanto estiverem desconfortáveis com o que a Bíblia realmente ensina sobre os mandamentos de Deus!

Primeiro,  Paulo nos informa que a fé pela qual somos salvos é a fé de Jesus. Perceba que é a fé dEle,  e não a nossa,  que salva. Paulo quer que entendamos que encontramos a fé de Deus operando em Jesus antes de exercermos nossa fé nEle. Dentro da moldura narrativa do evangelho,  Deus fez promessas através dos profetas hebreus. De fato,  todo o Antigo Testamento constituía um documento de aliança lançando tudo que Deus prometeu que faria através do Messias vindouro a fim de manter a fidelidade relacional com a humanidade caída,  cobrindo todo e qualquer custo,  até o ponto da própria morte.

Esse é o resumo do Antigo Testamento. A “fé de Jesus”  é  o termo do novo Testamento que encapsula o que toda essa realidade da manutenção da aliança  realmente se parece. Isso significa que Deus,  em Cristo,  agiu com perfeita fidelidade para com a humanidade caída. E é aí que reside todo o evangelho!

As boas novas são que Deus é um Deus de amor que mantém sua aliança. Ele é completamente confiável, constante e invariável em Seu amor por nós. Ele é fiel, ou cheio de fé, para conosco mesmo quando somos infiéis com ele. Nosso pecado não pode mudar Sua posição de comprometimento devoto para conosco. É isso que Ellen White articulou como o “imutável amor de Deus pela família humana” (Ellen White, Testimonies to Ministers, p. 92).

…se nós esperarmos o favor de Deus em resposta à nossa guarda da lei, então estamos em negação da sua promessa de aliança.

Jesus é o cumprimento completo da promessa de aliança de Deus, tanto do lado humano quanto divino. Como Deus, ele foi fiel em sua relação com a humanidade. Como homem, Ele foi fiel em seu relacionamento com Deus. O círculo do amor fiel que fora quebrado pelo pecado é agora reconectado e colocado em movimento recíproco – onde? – em Cristo!

Então, assim, já que Paulo está raciocinando a partir desse fundamento estabelecido no antigo testamento – a fidelidade de Deus à Sua aliança conosco – ele não nos diz para exercer nossa fé em Jesus num vácuo relacional, mas na premissa sólida do amor fiel de Deus trazido à luz na vida de Cristo. A fidelidade (fé) de Jesus, Paulo raciocina, é o ímpeto para nossa fé em Jesus.

Portanto, Paulo nos adverte contra imaginar que a restauração do relacionamento quebrado caiba a nós, “pelas obras da lei”.

Absolutamente NÃO!

Operar com base nessa premissa é negar o bom caráter de Deus, negar seu amor fiel e o fato de que Ele mantém a promessa de sua aliança em Cristo. “Pois se a herança é da lei, ela não mais é da promessa,” é o raciocínio de Paulo. Isso é, se nós esperamos o favor de Deus em resposta à nossa guarda da lei, então estamos negando a promessa de sua aliança. O legalismo não são meramente esforços gastos de maneira mal direcionada, mas sim a recusa em acreditar em Deus, por quem Ele realmente é. O legalismo assume que eu sou melhor do que Deus, que Ele é alguém distante, frio, endurecido e que eu, por minha iniciativa, faço-o se mover em minha direção.

OK, então, Paulo pergunta “Para que propósito serve a lei então?” Se Deus não quer que nós a guardemos como meio de salvação, para que ela serve? E aqui vem a pincelada mestre da teologia de Paulo:

“Ela foi adicionada por causa da transgressão, até que a Semente viesse para quem a promessa foi feita… A lei foi nosso tutor para nos trazer para Cristo, para sermos justificados pela fé. Mas depois que a fé veio, não mais estamos sob um tutor” (Gálatas 3:19;24-25)

Enquanto a lei não possui poder para salvar – mais precisamente, enquanto a minha obediência à lei não possui nenhum poder para salvar – ela serve como o papel vita lde um tutor. A lei se fez necessária por causa do pecado, para servir como um mestre a manter a consciência viva com o senso de nossa culpa e assim despertar em nós o senso de necessidade de um Salvador.

É aqui que nós, Adventistas, ficamos nervosos.  Porque Paulo fala da lei no tempo passado – “ela foi adicionada … até que  a Semente viesse … a lei era nosso tutor … depois que a fé veio, nós não mais estamos sob um tutor” – nós sentimos que Paulo não pode, de forma alguma, ter a lei moral em mente, porque a lei moral é eterna, certo? CERTO!!??

E se ela é eterna, Paulo não falaria dela como se ela tivesse servido a um propósito temporário, até que Jesus viesse, não é?

Mas é exatamente isso que Paulo está dizendo.

Então nós podemos continuar com nossa desconfortável mas óbvia evasão dos ensinos de Paulo sobre a lei, ou podemos processar o que ele está dizendo e sermos enriquecidos teologica, experiencialmente, pelo evangelho. A única forma de dar a volta nesse nervosismo frente ao que Paulo tem a dizer sobre a lei, é dar um passo para trás no jeito como nós, como um povo, temos pensado sobre a lei; perceber que precisamos de uma teologia radicalmente transformada sobre a lei de Deus, que se alinhe com o raciocínio inspirado de Paulo.

A lógica de Paulo é rígida. Viver em relação a Deus como se a conformidade exterior à lei pudesse conquistar Seu amor é, de fato, a negação do evangelho. Salvação pelas obras é uma tentativa fútil pela simples razão, embora profunda: nós não podemos conseguir de Deus, através de nossa guarda da lei, o que Ele já nos deu pela sua graça – gratuita. A única coisa que irá funcionar para o pecador é mudar completamente seu foco, redirecionar totalmente sua dependência, da confiança em qualquer coisa que possamos fazer para a confiança naquilo que já foi realizado pelo amor misericordioso de Deus, dado através de Cristo, a despeito das obras da lei.

Depois de ter negado a lei como um meio de salvação, Paulo então articula o que nós podemos chamar de a poderosa equação do evangelho. Não perca isso, porque é bem aqui que descobrimos aquilo que precisa ser central para a teologia Adventista e nosso evangelismo se formos nos erguer até o nosso potencial profético.

“A justiça” Paulo explica, vem somente “pela fé” (Gálatas 5:5).

Eu não posso obter justiça procurando-a como um fim em si mesma, como um objetivo moral a ser alcançado. Ela não é alcançada por algo que fazemos, por nos esforçarmos o suficiente. Somente a fé é o meio pelo qual a justiça pode ser obtida. Essa é a primeira coisa que Paulo quer deixar claro em nossas cabeças. Mas então ele dá mais um passo vital:

Enquanto a justiça é somente obtida pela fé, a fé só “funciona pelo amor” (Gálatas 5:6)

Bum!

A palavra traduzida aqui como “funciona” é energeo  no Grego, da qual temos a palavra energia. Paulo está dizendo que o amor de Deus, como revelado em Cristo, é a fonta de energia que desperta a fé para a ação.

A justiça é o “o quê”, e a fé energizada pelo amor é o “como”!

 

Há um relacionamento axiomático entre a justiça, a fé e o amor, e o amor é o catalisador que coloca toda a experiência em movimento. Uma vez que entendamos essa dinâmica relacional, torna-se evidente que o amor de Deus deve ser nosso foco apaixonado de estudo.

Quando Ellen Whte recebeu o pedido para definir a justiça pela fé, ela brilhantemente foi ao coração da questão, dizendo, “ela é o princípio ativo do amor transmitido pelo Espírito Santo” (Ellen White, Testimonies to Ministers, p. 468).

Por isso é vitalmente importante que a lei nunca seja pregada, exceto no contexto do evangelho. Falar sobre a lei sem o evangelho, Paulo explica, é espiritualmente perigoso. “A letra mata”, ele adverte (2 Coríntios 3:6). Isso é, pregar a lei sem o evangelho assassina as pessoas espiritual, emocional e relacionalmente, porque a lei sem o evangelho impõe somente a condenação (verso 9), o que só pode levar as pessoas ao legalismo ou ao desespero.

Se nós abraçarmos genuinamente o que Paulo ensina em Gálatas sobre a lei moral, então, em um nível emocional e mental profundo, nós seremos propulsionados com depenência total até Deus, para sermos resgatados. Todo senso de autosuficiência será estilhaçado em uma explosão dolorosa, mas libertadora, de autorejeição das nossas realizações. A segurança profunda, incosciente e carnal que temos no nosso legalismo humano natural será extirpada das nossas almas egocêntricas e nós correremos em completa nudes até Cristo, para que Ele nos cubra com a justiça que só Ele pode prover. É isso que Ellen White estava dizendo quando deu a seguinte definição de justificação pela fé:

 

“O que é a justificação pela fé? É a obra de Deus em levar a glória do homem até o pó, e fazer pelo homem aquilo que não está em seu poder fazer por si mesmo.” (Ellen White, Testimonies for Ministers, p. 456).

Quando nos permitimos sermos confrontados com o fato de que não há virtude ou valor nenhum na obediência da lei para assegurar uma posição favorável perante Deus, a essência pura do evangelho nasce sobre nossos corações com sua luz e calor capaz de nos curar. O amor de Deus é de uma qualidade tão livre e independente que Ele não precisa de incentivo para oferecê-lo. “Deus é amor” no mais puro sentido imaginável, de forma que não há nada que possamos fazer para fazê-lo nos amar mais do que Ele já nos ama.  Isso é devastadoramente humilhante! E profundamente libertador!

Uma vez que comecemos a compreender a verdade da justiça pela fé, um poder que nunca conhecemos antes nos agarra por dentro e somos os renascidos na glória da nova aliança. Uma mudança vital de consciência ocorre e nós somos livres genuinamente, pela primeira vez em nossas vidas.

É por isso que Ellen White insistiu:

“Não há nenhum ponto sobre o qual devemos meditar mais sinceramente, repetir mais frequentemente ou estabelecer mais firmemente nas mentes de todos do que a impossibilidade de homens caídos merecerem qualquer coisa pelas suas próprias e melhores obras. A salvação é através da fé em Jesus Cristo, somente. (Ellen White, Faith and Works, p. 19).

Mas isso não é desequilibrado?

Em vez disso, não deveríamos pregar um equilíbrio entre graça e lei, perdão dos percados e vitória sobre o pecado – a parte de Deus e a parte do pecador?

Na verdade, não.

A Bíblia não trás a ideia de equilíbrio, mas sim de um relacionamento dinâmico.

Ela não fala de dar a mesma ênfase para a graça e a obediência. Em vez disso, a Bíblia fala de um relacionamento entre graça e obediência como uma unidade dinâmica. A graça e a obediência constituem um continuum sem costura, não duas coisas separadas. A graça e a obediência são uma única verdade coesa, conectada. Onde não há graça, não haverá verdadeira obediência. Pode até haver uma conformidade exterior à lei, mas naõ é obediência. Legalismo não é obediência. É a rebelião usando uma máscara.

Legalismo não é obediência. É a rebelião usando uma máscara.

A ideia biblica não é “Deus te perdoa pela sua graça, mas você também precisa obedecer Sua lei.” Em vez disso, o perdão é o berço da verdadeira obediência. É por isso que Ellen White não vê nenhum perigo em se pregar, sem reservas ou qualificações, que não há nenhum valor na obediência para a salvação. E é por isso que ele se sente completamente confortável em colocar o peso da ênfase de nossa pregação na boa notícia do que Deus fez por nós em Cristo.

Ela explicou a ideia da seguinte maneira:

“O tema que atrai o coração do pecador é Cristo, e Ele crucificado. Na cruz do Calvário, Jesus permanece revelado ao mundo e amor sem paralelos. Apresente-o assim para as multidões famintas e a luz de Seu amor ganhará homens da escuridão para a luz, da transgressão para a obediência e verdadeira santidade” (Ellen White, Review and Herald, Nov. 22, 1892).

A mensagem do evangelho não é, “Deus fez a parte dEle, agora faça a Sua”.

Quando se trata de salvação, não há nada parecido com “a parte de Deus e a minha parte”. Tudo que há é a parte de Deus. A realidade total da minha salvação é realização dEle. Eu não tenho parte nenhuma na realização da minha salvação. Deus fez tudo em Cristo. Esse é o evangelho, e qualquer coisa menos do que isso não é nenhuma boa notícia. Qualquer coisa menos do que isso se torna meramente um bom conselho que me deixa com um senso de obrigação para obedecer, mas nenhum poder interno real para realmente obedecer.

Um velho famoso pregador da antiga aliança uma vez me desafiou da seguinte maneira:

“EEEEEEU acredito que a obediência à lei de Deus é possível e a vitória sobre o pecado é necessária. E você, Ty?”

“Não, eu não acredito”, foi minha resposta. “Eu acredito em algo melhor do que possível obediência e necessária vitória. Eu acredito que a obediência e a vitória são inevitáveis, certas e garantidas quando o evangelho puro é pregado e acreditado”.

“Teologia perigosa”, ele devolveu. “Se você der ao povo a impressão de que a obediência não é necessária para a salvação, eles não obedecerão. Muita ênfase na graça e no amor farão as pessoas sentirem-se livres para pecar.”

“É sério”, eu perguntei, “que o evangelho é tão fraco na sua estimativa? Ele não tem esse efeito em mim, nem nos outros que vejo respondendo ao evangelho. Na realidade, quanto mais claramente eu vejo e creio na graça imerecidade de Deus por mim, mais eu quero viver por Ele. Se a graça de Deus fizer você desejar o pecado, talvez você ainda não se encontrou com a graça verdadeira de Deus. O que quer que você acredita, certamente não é a bela revelação de Deus em Jesus Cristo.”

“Eu acredito no verdadeiro evangelho”, ele insistiu.

“E o que é isso?”

“Vitória sobre o pecado! Esse é o evangelho. Jesus viveu uma perfeita vida de obediência à lei de Deus para provar que nós também podemos!”

“Ok. Te desejo sorte com isso”.

A conversa terminou ali.

Alguns anos depois eu encontrei a esposa dela. Perguntei como ele estava. Os olhos dela se encheram de lágrimas. “Nós nos divorciamos”, ela disse. “Ele estava tendo um caso quando você nos conheceu e eu não pude aguentar mais.”

Isso é algo que eu tenho percebido ao longo dos anos. O legalismo é frequentemente uma capa para pecados escondidos. Vez após vez eu tenho conhecido defensores estridentes do “evangelho” da antiga aliança que escondiam sérias faltas morais. É claro que esse não é um resultado certo do legalismo em todos os casos. Algumas pessoas são capazes de sustentar o peso e a miséria do foco centrado na lei, baseado na culpa, por muitos anos.

Quando o pregador centra a atenção do povo em si mesmos — VOCÊ deve obedecer a lei, VOCÊ deve superar o pecado — eles estão criando o cenário necessário para a impotência e fracasso. Aqueles que entram nessa onda ou se tornam fariseus cheios de justiça própria ou se renderão em desespera ao perceber que nunca conseguirão chegar lá.

Você pode ter certeza de que não está ouvindo o evangelho de Cristo quando o efeito geral da mensagem produz em seu coração um senso de culpa não resolvida e julgamento em relação aos outros. O verdadeiro evangelho alivia a consciência da sua culta e ao mesmo tempo desperta a vontade para o desejo sincero da obediência.

Compreendendo a dinâmica poderosa do evangelho, Ellen White insistiu que quando você vir “a atratividade incomparável de Jesus”, uma coisa incrível acontecerá em seu coração: “Você se apaixonará pelo Homem do Calvário” (Ellen White, Life Sketches, p. 293).

Se apaixonar?

É essa a expressão que ela usou?

Sim, é! Porque ela entendeu o evangelho como articulado por Paulo. Ela entendeu que a justiça vem somente pela fé, e a fé só é energizada pelo contato vital com o amor de Deus através de Cristo.

Você pode saber que você está sob a influência do verdadeiro evangelho de Cristo quando você acredita com completa liberdade que não há mérito ALGUM na obediência … e ainda assim você deseja obedecer … porque você ama a Deus … porque Ele amou você primeiro.

O remanescente do Apocalipse não é chamado para pregar a obediência à lei como uma polêmica contra o antinomianismo do Protestantismo. Em vez disso, o remanescente é chamado para pregar o puro evangelho de Cristo, que coloca a lei em sua relação apropriada à obra salvadora de Jesus. O amor de Deus deve ser pintado em tons tão vívidos e claros para os corações humanos que ele despertará a fé para a ação.

A identidade teológica do remanescente – pelo menos de acordo com a intenção de Deus – é que eles “guardem os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Ellen White entendeu essa linha profética como significando que a mensagem do terceiro anjo, que o remanescente é chamado a proclamar, não é outra se não a “mensagem da justificação pela fé” (Ellen White, Review and Herald, April 1, 1890).

A difícil questão que paira pesada no ar pertante todos Adventistas do Sétimo Dia parece óbvia: Quando nós nos apropriaremos da identidade teológica que nosso Salvador envisionou para nós?


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