Explorando Tiago: Tiago 1.1-4

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos, espalhadas entre as
nações. Saudações! Meus irmãos, a vida de vocês está cheia de dificuldades e de provações? Então, considerem isso um motivo de grande alegria, porque, quando a sua fé é provada, a perseverança de vocês tem oportunidade de crescer. Portanto, deixem a perseverança crescer, agindo plenamente em vocês. Porque, quando a perseverança de vocês estiver madura, vocês estarão preparados para qualquer coisa, e serão fortes de caráter, íntegros, sem que lhes falte coisa alguma.” – Tiago 1:1-4, NBV

Há pouca dúvida de que esse livro tenha sido escrito por Tiago, o meio-irmão de
Jesus (230 palavras dessa carta se parecem muito com as palavras de Tiago na sua mensagem dirigida ao Concílio de Jerusalém em Atos 15:13-21). O livro de Tiago é considerado a primeira de todas cartas do Novo Testamento; provavelmente foi escrito em algum momento entre os anos 45 e 50.
Tiago escreveu para Cristãos Judeus que foram “dispersos”. O livro de Atos nos
conta que os Cristãos em Jerusalém foram forçados, por causa da perseguição, a se espalhar por toda Judeia e Samaria (Atos 8:1) e até mesmo para a Fenícia, Ciprus e Antioquia (Atos 11:19). Fugir nem sempre resolveu o problema, já que muitos Cristos encontraram perseguição nos seus novos lares também. As dificuldades da vida às vezes abalam nossas estruturas, fazendo com que nossa fé fique balançada e nossas responsabilidades cristãs, largadas. Em outras palavras, as dificuldades crises que sofremos podem diminuir a realidade do Cristianismo nas nossas vidas. Tiago escreveu para ajudar seus leitores para que a realidade continuasse viva, a despeito de qualquer circunstância.
A Bíblia tem muito a dizer sobre o sofrimento daqueles que andam com Jesus. Ela
conta sobre a dor de vários dos seus heróis – Jó, Moisés, José, Paulo e Pedro são só alguns exemplos daqueles que tiveram que suportar situações excessivamente difíceis.
Perseguição Uma boa parte do que a Bíblia chama de ‘sofrimento’ vem sob o cabeçalho de
perseguição – dificuldades e dores infligidas à Cristãos por aqueles que se opõe a sua mensagem. Esse tipo de sofrimento era tão comum na primeira igreja que muitos abriam mão das suas vidas por causa da sua fé. Essa ameaça era tão comum que muitos escritos do Novo Testamento julgaram necessário advertir seus leitores para que estivessem preparados. O apóstolo Pedro, por exemplo, fez desse tema o tópico dominante da sua primeira carta.
Nós podemos achar que essa forma de sofrimento está relegada àqueles dias distantes do passado, mas não está. Muitos Cristãos estão sofrendo perseguição severa agora mesmo, em diversas parte do mundo, e a hostilidade em relação ao Cristianismo tem aumentado em muitas nações.

Sofrimento pelas circunstâncias da vida

Mas a perseguição não é o único tipo de sofrimento que os Cristãos precisam suportar. Também existe o que nós podemos chamar de ‘sofrimento pelas circunstâncias da vida’. Ninguém está nos perseguindo, mas existem vários tipos de situações que tornam a vida muito difícil e desafiadora.
A maioria de nós pensa nesse tipo de coisa quando ouvimos a palavra ‘sofrimento’ esse foi o tipo de dor que Jó teve de suportar. É interessante notar como Tiago introduz esse tema. Ele diz, ‘Meus irmãos, considere motivo de pura alegria quando vocês enfrentarem diversas dificuldades …’(verso 2). Não existem nenhum ‘se’ aqui. A questão não era ‘se as dificuldades’ seriam enfrentadas ou não, mas sim *quando* elas viriam. Dificuldades nessa vida são inevitáveis para o Cristão (Fp 1:29, 1 Ts 3:3). A questão chave na mente do Cristão não é, então, se as dificuldades virão, mas sim como lidar com elas quando chegarem.
Não era o propósito de Tiago nos dar uma teologia completa do sofrimento
humano. Ele faz só uma menção breve sobre o tema antes de seguir em frente. Mas considerando a Bíblia em geral, nós podemos encontrar algumas linhas de direção e princípios para nos ajudar a lidar com as dificuldades que recaem sobre nós.

Uma distinção necessária

Primeiro de tudo, a Bíblia distingue entre o sofrimento e dor que nós trazemos
sobre nós mesmos e aquele que não é nossa culpa. Pedro fez essa distinção quando escreveu sobre perseguição. Ele disse a seus leitores que tivessem certeza de que a perseguição que os afligia era imerecida (1 Pedro 4:15-16). A mesma distinção pode ser aplicada para o tipo de sofrimento que estamos considerando. A lei do plantar e colher ainda funciona. Nossas escolhas levam à consequências. Se fizermos boas escolhas, podemos esperar boas consequências; mas se fizermos más escolhas, podemos esperar más consequências. Não podia ser mais simples.
Se abusarmos de nossos corpos, nossa saúde se deteriorará e nós podemos nos
colocar no cemitério antes do meio-dia. Se abusarmos daqueles que estão ao nosso redor, nossos relacionamentos também se deteriorarão. Se não abrirmos espaço para Jesus em nossas vidas, nossa caminhada com Deus também se deteriorará. Nós todos sabemos que essas coisas são verdadeiras, mas quando as consequências das nossas escolhas ruins começam a se arrastar para dentro da nossa existência, nós sempre acabamos ignorando a lei do plantar e colher, lamentando e clamando, ‘Por que Deus está fazendo isso comigo?’. Mas nesses casos, Deus só está nos deixando experimentar o resultado daquilo que nós escolhemos.

Sofrimento da mão de Deus

Mas vamos falar sobre o tipo de sofrimento que mais perturba a maioria dos
Cristãos – o sofrimento que chega, até onde podemos ver, sem ter relação nenhuma com nossas escolhas erradas. Como lidar com esse tipo de dificuldade?
A coisa crucial a se lembrar é que esse tipo de sofrimento vem da mão de Deus.
Nada é mais claro na Bíblia do que a verdade de que Deus permite dificuldades na vida dos seus filhos porque ele têm certos propósitos a cumprir. Considere o sofrimento de José, por exemplo, que veio até ele em uma sequência estonteante. Seus irmãos odiosos o venderam para a vida de escravidão. Ele acaba no Egito, acusado de algo que não fez, preso em uma masmorra. Tudo isso aconteceu com ele, mesmo sem culpa alguma. José deve ter passado uma boa parte de seu tempo imaginando porque todas aquelas coisas haviam acontecido com ele. Anos depois, ele recebeu sua resposta. Ele pôde ver que Deus tinha um propósito em tudo aquilo. As coisas aconteceram de forma que ele pôde ser o meio de salvação do seu povo da terrível fome que atingiu aquela terra. Ele mesmo colocou nas seguintes palavras:

“Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus tornou o mal em bem, para que a
vida de muitos fosse preservada” (Gn 50:20).

Outros textos também falam sobre os propósitos de Deus ao permitir o sofrimento.
O salmista escreve, ‘Antes que eu fosse afligido, eu me desviei, mas agora eu tenho guardado Tua palavra’ (Sl 119:67). Sim, Deus às vezes permite o sofrimento para nos corrigir de nossos caminhos errados e nos tornar mais parecidos com Jesus. Um aspecto do caráter de Cristo é a perseverança, uma virtude que Tiago diz ser produzida especialmente pelas dificuldades.
Às vezes o propósito de Deus ao permitir o sofrimento é que seus filhos
demonstrem sua confiança nEle. Nós podemos ter certeza de que aqueles que não acreditam estão sempre observando como nós reagimos às dificuldades da vida. Eles formulam suas visões de Cristianismo com base no que eles vêem ou não vêem em nós. Se nos vêem continuamente confiando e servindo a Deus em meio ao sofrimento pessoal, eles poderão ser convencidos de que existe algo real em nossa fé. Mas se eles nos vêem respondendo ao sofrimento com dureza de coração e amargura, eles se justificarão em concluir que não há nada de real naquilo que acreditamos.
O propósito de Deus ao permitir nosso sofrimento é sempre trazer glória ao nome
dEle. Pedro diz que a fé que é ‘testada pelo fogo’ trará, afinal, ‘louvor, honra e glória’ a Cristo (1 Pedro 1:7). Nessa vida, nós nem sempre conseguimos ver como nosso sofrimento pode trazer alguma honra a Deus. Mas não é necessário que nós vejamos a fim de que seja verdade.

Mas como Deus é honrado pelo nosso sofrimento? Aqui está alguém que sofreu de câncer metade de sua vida. Mas sua vida era uma canção alegre com uma letra triste. O brilho de uma paz inexplicável poderia ser visto em seu olhar. Quando a beleza do amor de Jesus é visto em meio à tempestade, Deus é glorificado.

O Fim do Sofrimento

Tudo isso nos leva a uma verdade final. Nós podemos encontrar forçar para encarar
o sofrimento, olhando para o tempo glorioso quando todo nosso sofrimento deixará de existir. A Bíblia nos assegura de que isso é verdade. As lágrimas dessa vida serão enxugadas. A angústia se dissolverá para sempre. A própria morte será finalmente, e para sempre, esmagada.
A Bíblia constantemente nos adverte a não nos intoxicarmos com essa vida a ponto
de falharmos em olhar além, para a vida que virá. Esse vislumbre do futuro tem uma habilidade maravilhosa de transformar o sofrimento do tempo presente. Conforme nós refletimos na majestade a ser revelada, nós nos veremos dizendo junto com Paulo, “Pois eu considero que o sofrimento desse tempo não é digno de ser comparado com a majestade que será revelada em nós” (Romanos 8:18).
Que nós nunca esqueçamos como temos essa confiança a respeito da vida futura.
Não é através do nosso próprio mérito, mas somente por causa do trabalho redentor do nosso Mestre Jesus Cristo, naquela cruz do Calvário. Tiago rogou a seus leitores que considerassem toda alegria quando passassem por
diversas dificuldades. Ele não estava sugerindo que eles recebessem as dificuldades com a exclamação, “Siiiim, como é maravilhoso!”. Não mesmo. Os Cristãos não devem fingir que os sofrimentos dessa vida não são reais e dolorosos. E isso é possível quando podemos dizer que eles não são consequência das nossas escolhas pecaminosas; quando confiamos no propósito amoroso de Deus ao permití-lo, e quando olhamos para o futuro, quando todo sofrimento deixará de existir

Para discussão:

1. Leia 1 Pedro 4:12-19. O que o apóstolo diz sobre como devemos responder ao
sofrimento?

2. Leia 2 Coríntios 4:16-18. Por que Cristãos não precisam desanimar em meio ao
sofrimento?

3. Muitos são perseguidos por causa da fé. O que podemos fazer para ajudar?

4. Quais momentos de sofrimento você já experimentou? Quais são algumas das
coisas que você aprendeu com esses momentos?


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