Explorando Tiago: Tiago 1:26-27

“Se alguém se considera religioso, e não doma sua língua, engana seu coração e sua religião é inútil. A religião pura e agradável a Deus, o Pai, consiste em cuidar das viúvas e dos órfãos no seu sofrimento, e não se manchar com a iniquidade do mundo.” – Tiago 1:26-27
Tiago vem enfatizando a Palavra de Deus. Seus leitores precisavam de força para enfrentar a perseguição e essa força estava disponível nas Escrituras. Ela já havia manifestado o poder na salvação deles e esse mesmo poder estava pronto para ser manifestado novamente. Mas eles precisavam se apropriar das palavras e aplicá-las. Em outras palavras, eles precisavam se comprometer em refletir sobre os textos e vivê-los.

Os versos de nosso texto lidam com essa questão essencial de viver a Palavra de Deus. Tiago identifica aqui três coisas que são partes essenciais: domar a língua, cuidar dos necessitados e não se contaminar com a iniquidade do mundo. Vale ressaltar que ele não considera esses pontos como opcionais. Não podemos ignorar essas coisas e ainda assim considerar-nos como tendo realmente conhecido a Cristo. Nossa religião é ‘inútil’ se não controla nossas línguas, move nosso coração e nos separa da maldade do mundo. Qualquer um que pensar diferente ‘engana seu próprio coração’ (v. 26).

O fato é que Tiago considera essas práticas tão importantes que ele dedica o restante de sua carta para explicá-las. Ele fala sobre cuidar do necessitado no capítulo 2. Abre maiores detalhes sobre controlar a língua nos 12 primeiros versos do capítulo 3 e usa o restante para elaborar o tema da separação da maldade do mundo. Conforme examinamos cada um desses temas, precisamos examinar a nós mesmos.

Domando a língua(v. 26)

O primeiro chamado de Tiago é para domarmos a nossa língua. A palavra ‘domar’ nos fala sobre como Tiago considerava a língua. É como um poderoso cavalo selvagem, que pode nos levar em uma passeio perigoso se não soubermos controlar as rédeas. Kent Hughes diz, ‘Se você já se sentou em 750 kilos de incansáveis ossos e músculos e então tentou controlá-los em uma cavalgada, você tem uma ideia.’ Tiago estava dizendo a cada um dos seus leitores, ‘Vocês tem um cavalo em suas bocas!’ Quando nossas línguas galopam como cavalos selvagens? Quando fofocamos, o que alguém definiu como ‘a arte de confessar o pecado dos outros’. Nossas línguas fogem do controle quando as usamos para expressar ofensas, palavras indecentes, blasfemar e mentir. Pode ser também que ela esteja galopando fora de controle na forma de reclamações e críticas. Como é fácil cair nessa armadilha! Alguém canta, e nós achamos defeitos. Alguém prega, e nós achamos defeito. Alguém ensina em uma classe, e nós achamos defeitos. Só reclamações e críticas. Todas essas e outras são evidências de uma língua descontrolada, e a prática habitual de tais coisas indica um coração que não está bem com Deus. A língua revela o que está no coração! O Senhor mesmo disse, ‘Uma árvore boa dá frutos bons e uma árvore má dá frutos maus, pois a árvore é conhecida pelos seus frutos. Ninhada de cobras! Como podem vocês, sendo maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que o coração está cheio.” (Mateus 12:33-34)

Eu quero enfatizar o que já disse antes, isso é, que Tiago está falando sobre o que é habitualmente verdadeiro sobre nós. Todo filho de Deus fala palavra inapropriadas de tempos em tempos. Tiago e Jesus não está falando sobre o que é ocasionalmente verdade sobre nós, mas sim aquilo que é continuamente verdadeiro sobre nós. A constância no pecado é uma evidência de que nunca fomos salvos! John Wesley, uma vez foi confrontado por uma mulher muito crítica, que disse, ‘Senhor Wesley, os cordões do seu nó de gravata são muito longos.’ Wesley segurou uma tesoura e pediu que a mulher cortasse de acordo com sua vontade. Depois que ela o fez, Wesley disse, ‘Sua língua, madame, é uma ofensa para mim e é muito longa. Por favor, estique-a para fora … Eu gostaria de cortar um pedaço.’ Nós faríamos muito bem em guardar isso em nosso coração e nos decidirmos a pegar a tesoura do arrependimento e fazer alguns ajustes! Imagine a diferença que você poderia fazer se fizesse isso. Quantos de nossos filhos teriam uma atitude diferente em relação às coisas de Deus se eles pudessem ver que nossa religião nos trás alegria em vez de nos tornar ranzinzas? Quantos de nossos amigos seriam convencidos da realidade da nossa fé se nossas bocas estivessem cheias de louvor em vez de profanidade?

Cuidando do Necessitado (v. 27)

Tiago diz a seus leitores para visitarem os órfãos e as viúvas nas suas necessidades. Esses dois grupos de pessoas eram os mais miseráveis daquela época. Então Tiago estava pedindo que a igreja tivesse compaixão dos mais necessitados. Há algo aqui não podemos permitir que passe batido. Tiago estava escrevendo a pessoas que tinham seus próprios problemas, e bem sérios, diga-se de passagem. E ainda assim ele pede que eles não esqueçam de mostrar compaixão aos outros! Uma das melhores coisas que podemos fazer por nós mesmos quando estamos com dificuldade é ajudar alguém que está em dificuldade. Existem todos os tipos de pessoas machucadas e sofrendo ao nosso redor, e nós não devemos simplesmente virar nossas cabeças e passar de largo. Uma das dimensões mais tristes de nossos dias é que muitos Cristãos estão tão absorvidos com seus seminários, gráficos, notebooks, grupos de estudo e técnicas de disciplina espirituais que não têm tempo para assar uma torta, enviar um cartão ou cortar a grama de alguém que esteja doente, alguém idoso ou alguém solitário. É fácil ser um ótimo Fariseu enquanto o mundo chora por um bom Samaritano. Aliás, Tiago não está sozinho ao enfatizar isso. Podemos encontrar em diversos outros textos da Bíblia, um dos quais vem de João: “Mas quem tiver bens materiais e ver seu irmão em necessidade, e fechar a porta do seu coração para ele, como é que o amor de Deus permanece nele? Meus queridos, que o nosso amor não seja só em palavras, mas em ações e sinceridade. E assim nós saberemos que pertencemos à Verdade, e asseguraremos nossos corações perante Ele.” – 1 Jo 3:17-19

Separando-se do Mundo (v. 27)

Tiago pede que seus leitores que não se manchem com a maldade do mundo. A palavra ‘sem mancha’ também pode ser traduzida como ‘impoluído’. Não se manchar com o mundo significa manter tanto a integridade pessoal quanto a pureza moral. É recusar-se a permitir que o mundo defina os padrões de nossas crenças e condutas. Esse é um mundo poluído! E ele pode sujar nosso pensamento, nossa fala e nossas ações. Muitos que professam ser Cristão dão evidência dessa sujeira. Deixaram de lado os ensinamentos claros da Palavra de Deus porque não querem estar fora de moda. A autoridade para essas pessoas não é a Bíblia, mas sim a pesquisa de opinião mais recente! E muitos que professam Cristo foram poluídos na sua fala. Falam como todos os outros. Preferem correr o risco de ofender a Deus do que parecerem diferentes!  E ainda outros que supõe serem Cristãos têm um comportamento sujo. Ordenam suas vidas exatamente da mesma forma que aqueles que não conhecem a Deus. Havia um tempo quando os Cristãos consideravam essencial ser diferente do mundo. Eles acreditavam que somente mostrando a diferença eles poderiam atrair os descrentes. Agora, em uma reversão maluca, a igreja está frequentemente dizendo o contrário. Está tentando atrair o mundo sendo exatamente igual, não percebendo que se o Cristianismo não é uma opção diferente, não há necessidade para ele! Não podemos esperar influencia o mundo para Cristo se permitimos que a influência do mundo molde nossos pensamentos, palavras e ações. Como notamos, encontraremos Tiago desenvolvendo mais tarde essa questão.  Mas aqui está uma das mais cortantes declarações sobre esse tema: ‘Vocês não sabem que a amizade do mundo é a inimizade de Deus? Quem quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus’ (4:4). Assim, Tiago definiu uma agenda perante nós. Controle a língua! Cuide do necessitado! Mantenha-se separado da maldade do mundo! É possível estar salvo e falhar nessas áreas? Claro. Mas não é possível falhar constantemente e estar salvo. Que Deus nos ajude a examinar nossos próprios corações.


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